segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um bom e um mau marketing

Os estúdios de cinema fazem sempre grandes campanhas de marketing para os seus filmes mais fortes. E este ano, nos States temos uns casos bem curiosos. Num lado temos The Dark Knight e Hellboy 2. Enquanto que oúltimo teve uma publicidade forte baseada em posters e trailers (e considerada a segunda melhor campanha de marketing deste ano), The Dark Knight teve aquela que foi considerada a melhor campanha de marketing para sempre dedicada a um filme. Foram diversos os estratagemas: desde os habituais posters (cerca duns 15) e os trailers (6 diferentes), tivemos ainda os sites dedicados a partidas pregadas ao cibernautas, jogos que consistiam na descoberta de pistas (em terreno real) para se decifrar conteúdos novos e para não falar dos patrocinadores que ajudaram imenso em tal publicidade. Para rematar, o bat-sinal no edifícoo Wollworth em Nova Iorque. Uma publicidade super forte que dava a conhecer a toda a gente que o Batman estava a caminho. E tudo sem ser um marketing exaustivo, sem cansar as pessoas de tal forma que quando o filme estrease, muitos recusariam ir ver pois já estariam fartos. Isso não aconteceu. Com as critícas doutro mundo, o buzz sobre a extraordinária interpretação do falecido Heath Ledger no seu último papel completo e um sucesso de públicoe critíca do filme anterior (nos cinemas, em DVD e em exibições televisivas) The Dark Knight tinha de tudo para tiunfar como triunfou: 158 milhões de dólares no fim-de-semana de estreia(a melhor estreia de sempre) e alcançar os 300 milhões em apenas 10 dias, tornando-se no filme mais rentável do ano, tudo naquele que é o melhor segundo fim-de-semana em exibição para um filme (75 milhões no segundo fim-de-semana). Isto é um caso de bom marketing.


Mas este fim-de-semana estreou nos Estados Unidos um filme algo aguardado e que até certa altura havia criado uma certa expectativa. The X-Files: I Want to Believe foi anunciado o ano passado para grande gaúdio dos fãs da série (um marco dos anos 90 e uma série que marcou e influenciou para sempre a tv) e muita gente começou a ficar de olhos postos nesta produção. Mas quando o sub-título foi anunciado já este ano, algo aconteceu. I Want to Believe é um título que encaixa bem na tradição da série (algo que as personagens querem fazer é acreditar e é uma frase usada muitas vezes ao longo da série - é até a frase que está presente no mitíco poster do disco voador no escritório de Fox Mulder) mas como subtítulo para uma produção cinematográfica não resulta e é pouco ou nada apelativo. E após o primeiro trailer (que até resulta mas que não revela nada do enredo) as esperanças começaram a ruir. A produção e o enredo estavam envolvidos numa aura de mistério, algo habitual na série mas para um filme é mau, pois o público quer sempre saber o enredo nos trailers, para saber no que se vai aventurar a ver. E o teaser poster trouxe algum esperança (bem concebido) mas o poster seguinte volta a retirar poder de atracção ao filme (e o terceiro poster, aqui presente, ainda pior faz). A Fox, distribuidora do filme, chegou a dizer que o filme também é destinado a quem não conhece a série, mas negligenciou os fãs verdadeiros da magnífica série. Muitos nem sequer conheciam a existência deste segundo filme. E nos últimos tempos, o marketing a The X-Files não foi juito forte. E como é óbvio, a estreia deste segundo filme 10 anos após o primeiro e 6 anos após o fim da série não ajudou. Este segundo filme surgiu tarde demais (devido a uma disputa no tribunal entre o criador Chris Carter e a Fox). Muitos fãs seguiram em frente e a série já não é tão popular como antigamente. E a data de estreia, uma semana depois de The Dark Kgihnt, filme que ainda se mantém em primeiro com forte liderança (e muitas hipóteses de lá passar uma terceira semana) também não ajudou.

The X-Files: I Want to Believe estreou em 4º lugar com 10 milhões de dólares, assegurando uma das piores estreias do ano. A sorte é que o prejuízo não será grande pois o orçamento foi de 30 milhões.

Isto tudo para provar que um marketing bem feito e imaginativo (sem saturar o público) e um marketing mal feito e atrapalhado podem fazer toda a diferença.

The Dark Knight merece todo o êxito que está a ter, sem dúvida alguma. Mas será que The X-Files merece esta pouca sorte? Dia 7 de Agosto estreia entre nós.

1 comentário:

jorge a. disse...

"The Dark Knight merece todo o êxito que está a ter, sem dúvida alguma. Mas será que The X-Files merece esta pouca sorte? Dia 7 de Agosto estreia entre nós."

O problema do X-Files não se trata só de pouca sorte. Claro que uma boa estratégia de marketing poderia ter salvo o filme do fracasso total na bilheteira, mas o filme irá fracassar especialmente porque a reacção do público e dos criticos é má.