quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo de 2011

O Movie Wagon deseja aos seus visitantes e comentadores um feliz ano novo de 2011!!!

Retrospectiva F.C. #52

Gattaca, de Andrew Nicoll

Passado num futuro onde os geneticamente perfeitos são os que têm mais hipóteses de melhores carreiras, um homem com uma perfeição consegue assumir a identidade de alguém superior, de forma a tentar atingir o seu sonho de viajar ao espaço.
Escrito e realizado por Andrew Nicoll, Gattaca é uma bela obra de F.C. onde é examinado o aspecto de perfeição humana e as suas fraquezas.
Com um elenco de luxo liderado por Ethan Hawke e Uma Thurman, Gattaca é uma obra bem escrita e realizada, com uma excelente banda-sonora de Michael Danna e uma sensibilidade notáveis. Novamente, um mdos melhores filmes da década de 90 e um dos meus favoritos.

Amanhã e Sábado não haverá retrospectiva. No entanto, voltamos Domingo e o primeiro filme de 2011 desta nossa retrospectiva será Dark City, de Alex Proyas, um dos melhores da década de 90.

Retrospectiva F.C. #51

Twelve Monkeys, de Terry Gilliam

Baseado na curta-metragem francesa La Jetée e escrito por Janet Peoples e David Webb Peoples (este último um dos argumentistas de Blade Runner), Terry Gilliam estreia em 1995 este Twelve Monkeys, um filme com grande orçamento que não tem nada de comercial.
James Cole (Bruce Willis) viaja no tempo até à década de 90 para descobrir e impedir o exército dos Doze Macacos que irão lançar um vírus mortal que aniquilará grande parte da humanidade. No entanto Cole vai parar a um manicómio e lá irá duvidar da sua missão, da sua história e da sua sanidade mental.
Twelve Monkeys foi um êxito comercial e deu a Brad Pitt uma nomeação a Óscar de melhor actor secundário. Gilliam consegue criar uma obra de F.C. única e dá-nos um dos melhores exemplos do género da década de 90, uma década em que a F.C. não esteve em grande forma, com poucas obras relevantes para o género. Este Twelve Monkeys é um dos raros exemplos da altura e um dos meus filmes favoritos. E é engraçado que quando o vi pela primeira vez, em 1996, não gostei. Mas quando o DVD surgiu, não pensei duas vezes. Um filme que cresce dentro do espectador.

Quinta-Feira é a vez de Gattaca, um dos grandes filmes de F.C. dos anos 90!

Due Date, de Todd Phillips (2010)

Um arquitecto vai apanhar um avião para Los Angeles a tempo de estar com a seua esposa, na altura do nascimento do seu primeiro filho. No entanto, no avião, encontra certos problemas, muito derivados a um outro passageiro, um aspirante a actor que vai para Hollywood na companhia das cinzas do seu pai. Com uma proibição de voar, Peter (o arquitecto) vai ter de viajar de carro juntamente com Ethan (o aspirante a actor), o seu cão e as cinzas do pai, já que Peter não tem os seus documentos.
Muito comparado com o divertido Planes, Trains And Automobiles, de John Hughes, este Due Date foi um filme mal recebido pela crítica já que esperava-se um novo The Hangover, o mega-êxito do realizador. Tal recebimento frio por parte da crítica é algo injusto, já que Due Date nunca ser um Hangover. Aliás, Phillips quer criar um filme diferente do seu filme anterior e consegue-o de forma hábil, nunca tendo a mesma piada e frescura mas conseguindo ter mais coração que The Hangover.
No entanto, é verdade que com uma dupla como Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis, poderíamos ter algo com mais impacto. No entanto, a dupla de actores está extremamente bem e conseguem criar uma comédia bem conseguida onde, nas piadas que surgem, acertam em cheio. Só é pena não haver mais momentos desses ao longo do filme. Mas é notável que essa era a intenção de Phillips.
Due Date não é nem deve ser visto como uma nova Ressaca. Deve ser visto como um filme diferente e, nesse aspecto, consegue perfeitamente. Uma boa surpresa.

Retrospectiva F.C. #50

Terminator 2: Judgment Day, de James Cameron

1992. James Cameron tinha três filmes aclamados no curriculum e decide voltar ao filme que lhe abriu as portas: Terminator. Volta a recrutar Arnold Scharzenegger (desta vez o bom da fita, já que era agora uma super-estrela) e Linda Hamilton. E, sem ninguém estar à espera, cria uma das melhores sequelas de todos os tempos! (outra vez...)
Terminator 2 pegua na ideia do primeiro filme e desenvolve-a de forma hábil. Aliás, o filme pretende dar conclusão a vários pontos referidos no primeiro filme ao mesmo tempo que cria a sua própria história. Pelo meio, temos algumas cenas de acção bem conseguidas e várias questões relacionadas com viajem no tempo que são bem engendradas pelo realizador.
Termnator 2 foi um êxito de bilheteira e de crítica estrondoso. O filme tornou-se ainda uma obra influente dentro do género de acção e deu origem a duas sequelas mais fracas, sem o envolvimento de Cameron que, numa entrevista, chegou a dizer que para ele a saga Terminator terminara com o segundo filme, onde está tudo respondido e concluído. Uma obra importante para a F.C. e Acção e um dos melhores filmes do género.

Quarta-Feira, é a vez de Terry Gilliam e o seu Twelve Monkeys.

Retrospectiva F.C. #49

The Abyss, de James Cameron

Com apenas dois filmes, The Terminator e Aliens, James Cameron estava lançado. Mas o seu maior desafio até à altura foi este The Abyss (1989), uma grande produção que teve vários problemas, começando pelo facto de que a maior parte do filme foi filmado na ou debaixo de água. E tal coisa torna sempre uma produção muito complicada. A pressão foi muita, os actores também estavam cansados e a qualidade do filme poderia sofrer com tanta complicação. Mas tal não aconteceu. The Abyss é uma grande história de F.C., uma mensagem ecológica, uma boa aventura aquática, com um bom leque de actores e mais um exemplo da realização sempre segura de Cameron. O único problema do filme foi o facto de não ter sido estrondoso no box-office onde, depois de tanta complicação, esperava-se mais.
The Abyss é, como foi escrito acima, um bom exemplo de F.C. e aqui temos um dos primeiros exemplos dos efeitos especiais que iriam revolucionar a indústria cinematográfica. No entanto, a tecnologia seria melhorada para Terminator 2 (e não só).

Terça-Feira é a vez de Terminator 2: Judgment Day, ainda de James Cameron.

Retrospectiva F.C. #48

They Live, de John Carpenter

Depois do desaire comercial de Big Trouble in Little China, John Carpenter decidiu largar os grandes estúdios e os seus orçamentos e voltou ao cinema independente. Carpenter tinha contrato para mais dois filmes com a Universal e daí surgiram Prince of Darkness, um filme de terror e, no ano seguinte (1988), este They Live, um filme de F.C. e Acção que serve de sátira ao consumismo e à política de Ronald Reagan, o presidente americano da altura. Carpenter acaba por criar uma das mais melhores e mais originais sátiras políticas do cinema. Para além disso, o filme contém uma das mais longas, divertidas e estranhas lutas de sempre, entre Roddy Piper e Keith David.
O filme tem os seus problemas mas nunca se leva (nem deve ser levado) a sério, com uma premissa como estas: um homem descobre que o planeta Terra está a ser habitado por extra-terrestres e que implantaram mensagens subliminares em todo o lado. Os extra-terrestres e as tais mensagens apenas podem ser vistas através duns óculos de sol especiais.
Divertido, cheio de acção e com a marca registada de Carpenter, They Live é um exemplo perfeito da F.C. da década de 80 e um grande filme de culto.

Segunda-Feira voltamos ao cinema de James Cameron, com The Abyss, uma obra de produção difícil mas de grande qualidade.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Retrospectiva F.C. #47

Aliens, de James Cameron

1986. Depois do êxito de crítica e de público de Alien (1979), a Fox estreia a sequela. Ridley Scott foi trocado por James Cameron, lançado por The Terminator, dois anos antes. E que bela troca! Enquanto que Scott criou um hábil jogo de suspense e claustrofobia, Cameron pega nesses elementos e adiciona a acção de cortar a respiração! O realizador traz-nos assim uma sequela perfeita e totalmente diferente do filme original, enquanto que consegue, ao mesmo tempo, ser um produto fiel ao seu antecessor. Se a obra de Cameron é superior à de Scott? Muitos dizem que sim mas a resposta evidente, na minha opinião, é não. Se não houvesse a obra de Scott, provavelmente este Aliens de Cameron não existiria. E Scott criou o ambiente e universo e Cameron conseguiu expandi-los. São duas obras distintas e de grande qualidade! Aliás, como filme de acção, Aliens é um dos melhores de sempre! E como sequela, é uma das melhores de sempre!

Aliens foi um grande êxito nas bilheteiras, o filme mais rentável de 1986. A crítica foi unânime com o filme e Sigourney Weaver foi nomeada para Óscar, algo extremamente difícil num filme deste género. A qualidade do filme, do argumento, das interpretações e da realização foram reconhecidos por todos e até o público feminino apreciou o filme, tendo em conta que Weaver é aqui uma autêntica mulher de armas, mais dura que muitos supostos heróis de acção do grande ecrã! E tornou-se num grande símbolo cinematográfico para as mulheres, justamente!

Aliens é um dos grandes clássicos de acção e F.C., um filme que ainda hoje é lembrado, apreciado e descoberto. Um marco dos dois géneros que deu origem a duas sequelas que muita polémica geraram mas que, independentemente das opiniões, moldaram a F.C. e que são, bem vistas as coisas, duas sequelas inferiores mas muito boas, completando uma das melhores sagas da história do cinema.

Dia 24 e 25 não haverá retrospectiva nem actualizações no nosso espaço. Assim sendo, estamos de regresso dia 26, Domingo, com mais um filme para este nosso especial que terminará com a estreia de TRON Legacy, a 13 de Janeiro. O nosso próximo filme será They Live, de John Carpenter, estreado em 1988.

Portanto, até dia 26 e, até lá, um muito bom Natal para todos os nossos visitantes, comentadores, leitores e fãs, se tivermos alguns. Bom Natal!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Scott Pilgrim Vs. the World, de Edgar Wright (2010)

Baseado nas graphic novels de Bryan Lee O'Malley, Edgar Wright (Shaun of the Dead, Hot Fuzz) realiza a sua terceira longa-metragem, um filme que está destinado a objecto de culto.
Scott Pilgrim é um adolescente que faz parte duma banda e conhece Ramona, por quem se apaixona rapidamente. Quando começam a andar juntos, Scott descobre que tem um obstáculo enorme pela frente: tem de defrontar os sete namorados maléficos de Ramona.
Michael Cera encarna Scott Pilgrim na perfeição mas a verdadeira estrela do filme é Edgar Wright, pela sua realização hiper visual e criativa. Wright consegue criar um festim visual, para além de criar vários momentos de bom humor e de acção. Para além disso, o realizador consegue fazer algo difícil: criar o melhor video jogo em cinema, com material baseado numa graphic novel!
Scott Pilgrim está recheado de referências aos video jogos, cinema, televisão, etc., algo bastante vulgar no cinema de Wright e que é sempre utilizado de forma refrescante e inteligente. Para além de tais referências, temos a já referida experiência visual, algo tão criativo que não sai da cabeça do espectador tão facilmente.

Scott Pilgrim Vs. the World é um filme indicado para um tipo de público específico, não sendo exactamente uma obra comercial como se possa pensar. O filme de Wright toma a atitude de 'ou gostas ou não gostas, se não gostares não quero saber'. Mas, verdade seja dita, é impossível não de gostar desta obra do realizador.
O único problema de Scott Pilgrim não tem a ver com o filme em si mas com a distribuição cá em Portugal: estreado com vários meses de atraso (um mês depois do lançamento do DVD e Bluray nos Estados Unidos), a distribuidora ainda estreia o filme em apenas 3 salas em Portugal inteiro, duas em Lisboa e uma no Norte, com pouca publicidade ao filme e sem dar hipótese ao filme de ser descoberto por um público que não seja só o que já quer a obra. Para além disso, depois duma semana de estreia fraquíssima, na sua segunda semana de exibição o filme passa só a partir da sessão das 21 horas, cortando ainda mais as hipóteses de êxito menor que poderia ter, caso fosse tratado de forma decente. A distrobuidora deu a entender que Scott Pilgrim estreou em Portugal apenas como se fosse um favor aos fãs e interessados pelo filme, tratando um dos melhores filmes do ano como se fosse lixo. E convém dizer que, apesar de ter sido um flop no box office americano, não foi um fracasso assim tão grande para ter tal tratamento por cá. Especialmente quando temos filmes como Baton e Botas da Tropa a estrearem por cá com mais cópias. E convém assinalar que o filme desastre de Jessica Simpson foi directamente para DVD nos Estados Unidos, mas teve melhor tratamento em Portugal.

Voltando ao filme, Scott Pilgrim é, sem dúvida, um das melhores experiências cinematográficas e um dos melhores filmes do ano.

Retrospectiva F.C. #46

The Fly, de David Cronenberg

Remake do filme de 1958 protagonizado por Vincent Price, The Fly é uma das obras mais populares de David Cronenberg (é o seu filme mais rentável no box office) e uma das melhores obras de F.C./Terror dos anos 80.
A história é simples: um cientista cria um aparelho e, sem esperar, o seu ADN é misturado com uma mosca mosca, iniciando assim uma transformação no cientista.
Protagonizado por Jeff Goldblum, The Fly é violento, asqueroso mas extremamente bem realizado e uma grande adição aos dois géneros. Cronenberg está envolvido num filme de estúdio e não se deixa levar pelo orçamento maior nem pelas possíveis pressões, criando um filme muito próprio do seu cinema.

Amanhã vamos continuar em 1986 e vamos (re)visitar uma das melhores sequelas de todos os tempos, Aliens, de James Cameron. Depois, pausa de Natal.

Retrospectiva F.C. #45

Back to the Future, de Robert Zemeckis

1985. Steven Spielberg e Robert Zemeckis, saído do êxito Romancing the Stone, estreiam este Back to the Future, mais um filme que usa a temática da viajem no tempo. No entanto, para além de esta componente de F.C., o filme de Zemeckis é também um filme de aventura e comédia, usando várias referências dedicadas ao cinema de F.C. da década de 50 (e não só) e um entretenimento inteligente, mostrando que esta temática pode causar várias confusões e erros narrativos. Zemeckis e Bob Gale (os argumentistas) evitam esses erros, pensam em todos os pequenos pormenores e criam o primeiro capítulo duma trilogia de grande entretenimento e inteligência.
O êxito de Back to the Future foi enorme e lançou Michael J. Fox no cinema (já era bastante conhecido pela série Family Ties) e deu origem a duas sequelas (estreadas em 1989 e 1990), com êxito menor mas que conseguiram criar uma aventura divertida. Back to the Future para além de ser um dos melhores filmes de F.C. (e não só) da década de 80, é também um dos melhores blockbusters do cinema.

Amanhã vamos para o ano seguinte, 1986, e conhecer o remake de David Cronenberg, The Fly.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Retrospectiva F.C. #44

Dune, de David Lynch

Em 1984, a Universal Pictures começou a publicitar Dune como o evento cinematográfico do ano. A trilogia Star Wars terminara no ano anterior com Return of the Jedi e o êxito foi, novamente, estrondoso. Era preciso encontrar uma nova saga de F.C. de proporções épicas. E aparentemente, adaptar a obra de Frank Herbert ao cinema era a ideia ideal, sendo que tinha bastantes fãs. Para mais, o realizador era David Lynch, realizador que tinha sido bastante aclamado com Eraserhead e The Elephant Man.
Saiu tudo furado... O filme estreou e foi um flop gigantesco, a crítica não foi simpática e o filme de orçamento elevado não recuperou os seus gastos. E foi o suficiente para Lynch não se envolver com grandes estúdios novamente, apesar de proclamar que a versão estreada não era a sua visão para a obra.
O filme, invulgar mas de bom entretenimento, foi redescoberto mais tarde e ganhou estatuto de culto. A obra de Herbert ainda está à espera de ter uma adaptação cinematográfica, embora já esteja uma em início de pré-produção. No entanto, uma mini-série foi produzida, acompanhada pela adaptação da sequela de Dune.

Dune é um objecto curioso dentro da F.C. da década de 80 e um dos grandes filmes de culto dessa época.

Amanhã vamos para uma obra ligeira, que mistura F.C., Comédia, Aventura e êxito de bilheteira estrondoso. Falamos de Back to the Future, de 1985.

Retrospectiva F.C. #43

1984, de Michael Radford

Baseado na novela de George Orwell, 1984 conta-nos a história de Winston Smith, um homem cuja tarefa é reescrever a história. O filme passa-se numa sociedade futurista, onde tudo é gravado pelo Big Brother. Winston comete o crime de se apaixonar e tem de lutar pela sua liberdade.
A novela de Orwell já tinha sido adaptada para cinema mas esta versão de Radford é objecto de culto e um dos melhores filmes de F.C. da década de 80.
Mais uma vez temos o tema da sociedade aparentemente perfeita, onde liberdade de expressão e de ser humano é inexistente até que alguém comete o 'erro' de se apaixonar. A obra de Orwell é um dos grandes motivadores desse estilo de F.C. e esta é mais uma excelente obra que aborda essa temática.

Amanhã permanecemos em 1984 com o flop de David Lynch, Dune.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sessão da Meia-Noite #19/ Retrospectiva F.C. #42

The Terminator, de James Cameron

E é em 1984 que o mundo conhece James Cameron! Baseado num sonho que teve, Cameron escreve e realiza a sua primeira obra (sem contar com Piranha 2) e tal esforço dá origem a este The Terminator, um filme de acção e F.C., que envolve viagens no tempo e as várias ramificações que as alterações no passado podem ter.
Cameron consegue trazer um filme com uma boa narrativa, uma ideia refrescante, cenas de acção bom conseguidas e personagens marcantes. Para além disso, consolidou a imagem de Arnold Schwarzenegger como homem de acção e criou uma das suas frases mais emblemáticas: I'll be back.
The Terminator é um clássico da F.C. e do cinema de acção e uma das obras mais importantes do género.

Amanhã permanecemos em 1984 com... 1984.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sessão de Culto # 18/ Retrospectiva F.C. #41

Blade Runner, de Ridley Scott

Baseado no conto de Philip K. Dick, um dos grandes autores de F.C., Ridley Scott realizou esta obra, uma das produções mais complicadas do cinema e que acabou por ser um fracasso nas bilheteiras.
Scott criou um filme de extrema beleza visual e com uma história complexa. No entanto, a Warner vendeu o filme como sendo uma obra de F.C. e Acção, protagonizado por Han Solo e Indiana Jones. O resultado foi um bom dia de estreia e o resto do fim-de-semana desastroso, com o passa-palavra negativo. E depois do mundo ter visto E.T., não queriam ver F.C. tão complexa, negra e claustrofóbica. A crítica também atacou o filme mas houve uma pequena minoria que antevia um futuro risonho para a obra de Scott, defendendo que era um filme avançado para a época e que pudia ser assustadoramente mais real do que as pessoas queriam assumir.
O filme foi redescoberto em VHS e foi o suficiente para que, em 1993, fosse relançado nos cinemas, numa director's cut, com final diferente e sem a narração de Decker, personagem de Harrison Ford. Estes dois aspectos foram forçados na versão original pelos produtores e Scott nunca ficou contente com isso.
Em 2008, estreia a Final Cut, a versão final do filme, constituindo a verdadeira visão de Ridley Scott.
Blade Runner é um dos grandes filmes de F.C. de todos os tempos e de uma extrema importância para o género (e não só...). O impacto da obra na F.C. é ainda hoje visível e é um filme que ficará intemporal e sempre actual. Uma obra genial e um verdadeiro exemplo de F.C. pura e dura. E, novamente, um dos meus filmes favoritos.

Amanhã, Sábado, vamos conhecer outra obra importante da F.C.. É a vez de Terminator, de James Cameron, estreado em 1984.

Retrospectiva F.C. #40

The Thing, de John Carpenter

Esta obra de John Carpenter é um remake de The Thing From Another World, um filme que já foi abordado na nossa retrospectiva, e é também uma nova adaptação do conto Who Goes There?. Carpenter, grande fã do filme original, cria um filme espectacular, recheado de tensão, com efeitos especiais ainda hoje realistas, um Kurt Russell fabuloso, um filme político e um dos grandes clássicos de culto do cinema.
No entanto, nem tudo foi fácil para a obra de Carpenter. A Universal tinha estrado, semanas antes, E.T.-The Extra-Terrestrial e depois estreou este The Thing, numa altura em que toda a gente estava enfeitiçada pela obra de Spielberg, daí não estarem preparados para ver um extra-terrestre assassino e nojento. O filme foi um fracasso nas bilheteiras e de crítica.
No entanto, o VHS surgiu e o filme foi redescoberto neste formato, criando um culto gigantesco e é hoje considerado um dos grandes filmes do género. Carpenter cria assim mais um filme de culto e uma obra de grande importância, para além de ser um dos meus filmes preferidos.

A F.C. ganhou pontos e popularidade com o filme de Spielberg mas tudo o resto foi fracasso. E é aqui que se insere o filme de Sexta-Feira, Blade Runner.

Retrospectiva F.C. #39

E.T., The Extra-Terrestrial, de Steven Spielberg

Planetas diferentes, galáxias distantes, naves a percorrem o universo inteiro, encontros imediatos... A F.C. explorava tudo isto e mais ainda. Ainda em 1982, a Paramount estreava Star Trek II: The Wrath of Khan e com grande sucesso de crítica e de público (considerado por muitos o melhor filme da saga) e não é que Steven Spielberg volta a ganhar a atenção de todos? Depois de Jaws, Close Encounters of the Third Kind e Raiders of the Lost Arc, Spielberg conquista o mundo uma vez mais com este E.T., uma história de amizade entre um jovem rapaz e um extra-terrestre amigável, que deseja encontrar o caminho para casa.
E.T. tornou-se num dos maiores êxitos de bilheteira de todos os tempos, tendo sido relançado nos cinemas em 2002, 20 anos depois. Toda a gente ficou emocionada com a personagem do extra-terrestre simpático e a palavra espalhava-se cada vez mais, fazendo com que o filme tivesse sessões esgotados por meses e meses, à semelhança de Star Wars. E a F.C. tem mais um grande trunfo, desta vez com um extra-terrestre acarinhado pelo mundo inteiro, que fez correr rios de lágrimas. E com este filme, foi criado um grande clássico da F.C. e do cinema. E, para dizer a verdade, já não se fazem filmes lamechas assim, que são lamechas mas extremamente bons...

Ainda em 1982, um ano com grande história para a F.C., Quinta-Feira é dia de The Thing, de Joh Capenter, um excelente filme que foi afectado por E.T..

Retrospectiva F.C. #38

TRON, de Steven Lisberger

TRON estreia em 1982. A Disney lança uma forte campanha publicitária dedicada ao filme e aposta bastante no filme, tendo em conta que a F.C. está em alta e que o filme passa-se num video jogo, algo muito na moda. Todos os miúdos jogavam alguma coisa e este era o filme para eles. Aliás, o próprio filme é escrito para eles! Já para não dizer que tem Jeff Bridges como protagonista, alguém que estava a dar cartas muito fortes no cinema. O resultado foi um flop nas bilheteiras. Não foi algo desastroso mas não era o que a Disney esperava, de todo.
TRON é um dos vários casos em que o filme fracassa nas bilheteiras mas descobre o seu público anos depois, com o surgimento do VHS, algo que aconteceu muito da década de 80 com filmes de F.C. e Terror. Hoje, TRON é um filme muito popular na comunidade geek, para al´me de qualquer adulto que era adolescente ou que cresceu na década de 80. Daí que a Disney aposta agora na sua sequela, a estrear esta semana nos Estados Unidos, a 13 de Janeiro em Portugal e que é um dos motivos pela concretização desta nossa retrospectiva.
TRON é um dos filmes mais marcantes da F.C. da década de 80 e é um dos grandes cultos do género.

Quarta-Feira vamos conhecer um extra-terrestre muito simpático e que conquistou o mundo. Falamos, pois claro, de E.T., de Steven Spielberg.

Retrospectiva F.C. #37

Star Wars: The Empire Strikes Back, de Irvin Kershner

1980. O início de mais uma década que mudaria o mundo! O negócio da música começa a deixar o Disco para trás, os instrumentos electrónicos começam a ganhar força, a Guerra Fria está cada vez mais forte e a moda começa a ser totalmente revolucionada. E onde está o cinema? Também a reinventar-se. E a F.C.? Também. Mas para já, logo a abrir a década tão revolucionária em todos os aspectos, temos a sequela de Star Wars, The Empire Strikes Back.
Esta sequela prossegue com os acontecimentos do primeiro filme. Temos assim uma saga em que é essencial ver o capítulo anterior para perceber melhor este universo e conhecer melhor as personagens. No entanto, em vez de continuar a ser uma obra algo ligeira como o primeiro filme, Lucas e companhia decidem caminhar por novos territórios e criar algo mais sombrio. E temos aqui um segundo capítulo que representa a fase mais negra da saga. Algo que, na altura, não agradou a muita gente.
O êxito foi gigantesco e deu um novo impulso à F.C., que já estava espalhada pelo imaginário de todos, passando também pela televisão, apesar de, muitas vezes, não haver muito sucesso. Na altura, o filme não foi muito bem recebido pela crítica devido ao final aberto e às muitas perguntas sem resposta. Aliás, o final do filme foi algo nunca antes feito num filme do género: um filme onde os vilões ganham e os heróis, destroçados, apenas sonham com esperança.
Em 1983, estreia a última parte da trilogia e trata-se dum filme muito mais ligeiro, uma grande aventura e onde todas as respoats foram dadas, fazendo com que Empire fosse revisto e repensado. Devido a tal, o segundo filme ganhou novas opiniões e é hoje considerado por muitos o melhor filme da saga.
A verdade é que Empire é um dos filmes de F.C. mais marcantes da História, um filme bastante influente e muitas vezes referenciado. E é mais uma obra de F.C. pura.

Passamos para 1982. A Disney produz um filme com efeitos especiais revolucionários e aposta bastante na obra. Ainda por cima, é inspirado na loucura que estava a dominar o mundo: video jogos. No entanto, o filme ficou muito longe do esperado nas bilheteiras. Mas TRON conseguiu ganhar um enorme estatuto de culto e é um filme recordado ainda hoje. E é o filme de Terça-Feira...

Retrospectiva F.C. #36

Mad Max, de George Miller

Ainda em 1979, vindo da Austrália, estreia este Mad Max, o filme que lançou Mel Gibson para o estrelato.
Trata-se duma visão crua e violenta dum futuro apocalíptico onde encontramos gangues perigosas. E é aqui que encontramos a base do filme: uma gangue mata a família dum polícia, Max, e este vai á procura de vingança.
Para além da curiosa visão dum futuro não muito distante e indeterminado, o filme de Miller está recheado de alucinantes perseguições de carros e cenas de acção de cortar a respiração. Dois anos depois, surgiria o segundo filme, Road Warrior, que é um dos grandes filmes de culto do cinema e grande influência para o cinema de acção, com as suas sequências de acção verdadeiramente prodigiosas.
O sucesso de Mad Max e da sua sequela originaram ainda um terceiro filme, mais ligeiro e de menos qualidade, apesar de ser ainda um excelente entretenimento.
Mad Max tem elementos F.C. espalhados pelo filme: a visão apocalíptica do planeta num futuro não muito distante, por exemplo. Para além disso, foi um êxito de bilheteira vindo da Austrália e uma grande influência para o género de F.C. e Acção.

Amanhã, saltamos para 1980. Depois do mega êxito Star Wars, surge a sua sequela, Empire Strikes Back. Apesar do êxito estrondoso, foi algo menor e a crítica, na altura, não o recebeu muito bem. Mas as coisas mudariam e teríamos um filme de grande referência.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sessão da Meia-Noite #18/ Retrospectiva F.C. #35

Stalker, de Andrey Tarkovskiy

No ano em que Alien e Star Trek estreiam nas salas americanas, Andrey Tarkovskiy regressa à F.C. com este Stalker, uma obra-prima brilhante, um filme poético e extremamente bem realizado pelo cineasta russo. Stalker passa-se num local guardado com arame farpado e soldados, onde um homem com poderes mentais, um Stalker, decide levar um grupo de pessoas para fora da Zone, onde estão, para o Room, onde as esperanças de cada pessoa tornam-se realidade.

Stalker é mais um exemplo perfeito da F.C. feita fora de Hollywood e Reino Unido, deixando de lado as suas pretensões comerciais e dedicando-se mais ao aspecto técnico e artístico da obra. Por outras palavras, F.C. mais art-house.

Amanhã vamos permanecer em 1979 mas desta vez vamos para a Austrália, onde o realizador George Miller transformou Mel Gibson numa estrela. Falamos da obra de culto Mad Max, um filme que, bem vistas as coisas, deveria ter sido visto hoje para fazer parte da rubrica Sessão da Meia-Noite. Uma pequena falha nossa mas decerto que o filme de Miller irá ser apresentado nessa rubrica mais para a frente.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sessão de Culto # 17/ Retrospectiva F.C. #34

Alien, de Ridley Scott

Estamos em 1979. O sucesso da obra de George Lucas afecta o cinema por inteiro e também a F.C., sendo que este é agora um género muito popular. Os estúdios continuam a apostar forte no género, chegando a misturá-lo com outros géneros.
Dan O,Bannon, co-autor e actor de Dark Star, escreve um argumento para um filme de F.C. série B e a Fox fica interessada no filme. Depois de muitas reviravoltas, o estúdio consegue o jovem Ridley Scott para realizar o projecto e este altera bastantes aspectos no argumento, para desgosto de O'Bannon. Foi apenas uma questão de tempo até que o projecto passasse de filme de baixo orçamento para um filme com um orçamento bem modesto para a altura. E fazer um filme de F.C. e Terror, com elementos de série B, com um orçamento como este era raro.
O filme estreou e tanto a crítica como o público renderam-se. Os cenários complexos e realistas idealizados para a obra de Scott criavam a claustrofobia necessária ao filme. Os actores, a maior parte caras conhecidas, criavam uma tensão palpável, sendo que Scott ajudou a tal nas filmagens. E, surpresa das surpresas, era aqui que o mundo conhecia Sigourney Weaver e a sua personagem Ellen Ripley, uma das grandes personagens da história do cinema!
O público estava cheio de medo e tornaram o filme numa experiência única. Scott, por sua vez, criou uma obra-prima da F.C., misturando de forma hábil o terror psicológico. Alien é um dos grandes filmes de F.C. de todos os tempos e um dos mais assustadores. O filme daria origem a três sequelas e Scott está na pré-produção das duas sequelas do filme original, com estreia marcada para 2012.

Amanhã, vamos sair dos Estados Unidos (e Reino Unido, já que Alien foi uma co-produção americana e britânica) e vamos voltar ao cinema de Andrei Tarkovsky, com Stalker, estreado também em 1979.

Retrospectiva F.C. #33

Star Trek, de Robert Wise

Depois do enorme êxito de Star Wars, a Paramount olhou com outros olhos para a série Star Trek e para o seguimento de culto que ganhou depois de ter sido cancelada. Com a F.C. novamente rentável e com vários filmes a serem produzidos e a estrearem no cinema, todos com aspectos muito semelhantes a Star Wars (Starcrash, uma space opera com David Hasselhoff e Christopher Plummer, por exemplo) e séries de televisão a conquistarem novos fãs (novamente Battlestar Galactica é um exemplo óbvio), o estúdio decidiu pegar em Robert Wise (The Sound of Music) e dar o sonho de Gene Rodberry em ter um filme baseado na série de televisão que tinha criado. E em 1979 temos assim a estreia de Star Trek nos cinemas.
O filme de Wise não era um espécie de reebot (algo desconhecido na altura) mas sim uma sequela da série de televisão. William Shatner, Leonard Nimoy e o restante elenco principal regressaram nos seus papéis e o filme foi um êxito de bilheteira, embora algo incompreendido pelo grande público. O êxito do filme criou uma saga cinematográfica enorme, constituída por 9 sequelas e uma sequela/reebot datada de 2009.
Star Trek ganhou grande popularidade especialmente na década de 80, com a sequela The Wrath of Khan sendo aclamada pela crítica e pelos fãs como o melhor filme da saga e com o quarto filme, The Voyage Home, a ser um grande êxito nas bilheteiras. A partir do quinto filme (The Last Frontier), considerado um dos piores, a saga perdeu fôlego mas o êxito manteve-se até ao décimo filme, Nemesis, falhar nas bilheteiras. Anos depois, surgiu o filme de J.J. Abrams e o êxito foi esmagador (falaremos mais tarde deste caso).
Star Trek ajudou a criar a comunidade geek, juntamente com Star Wars, duas sagas de F.C. que criam um universo único para cada saga. São duas sagas importantes para o género e duas das mais duradouras e lucrativas.

Amanhã vamos novamente para o espaço, onde ninguém nos ouve gritar... Depois de casos mais ligeiros como Star Wars, temos o lado mais violento do espaço, com o clássico de Ridley Scott, Alien.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Retrospectiva F.C. #32

Superman, de Richard Donner

Com o êxito esmagador de Star Wars, o caminho estava aberto para filmes com temáticas mais fantásticas, ao contrário da maior parte do cinema americano que enchia salas durante os anos 70, filmes crus, realistas e violentos.
Devido a Star Wars, a F.C. estava em todo o lado. Em 1978, estreia na televisão americana Battlestar Galactica, que aproveitou a equipa de efeitos especiais do filme de George Lucas para a série. Apesar de começar muito bem, a série terminaria com duas temporadas e uma tentativa, em 1980, de criar outra série da franchise. Assim, Galactica seria outra série que, juntamente com Space:1999 (1975/1977), seria curta mas de grande culto nos anos que viriam.
No cinema, o género continuava em força e explorava novos territórios. E em 1978, entra o universo de super-heróis em força no cinema.
A Warner decide produzir Superman. Mas para o filme ser levado a sério, o estúdio e os produtores decidem juntar uma equipa de peso: o argumento de Mario Puzzo (The Godfather), o realizador Richard Donner (acabado de sair do êxito The Omen), as super-estrelas Gene Hackman e Marlon Brando (com um acordo histórico e milionário, onde receberia 2 milhões de dólares por menos de uma semana de trabalho) e o compositor John Williams, saído de Jaws, Star Wars e Close Encouters of the Third Kind. No entanto, para o papel de Superman, os produtores queriam uma super-estrela (Paul Newman e Robert Redford estavam na lista) enquanto Donner queria um desconhecido. E depois de muita luta, ganhou. Christopher Reeve foi revelado com a sua interpretação carismática de Clark Kent/Superman e convenceu tudo e todos. Aliás, se o super-herói fosse vivo, ele SERIA Christopher Reeve!
Os efeitos especiais, a excelente realização e a boa qualidade do filme, para não referir a sua frescura no cinema, forma recebidas de braços abertos pela crítica e público. O êxito foi grande e deu origem a três sequelas (uma boa mas bastante problemática que fez Donner sair do projecto, e duas muito más) e uma outra sequela em 2006, realizada por Bryan Singer e que esquecia os dois últimos filmes de Reeve e servia de continuação ao segundo filme. E está programado para Dezembro de 2011, a estreia do reebot da saga, pelas mãos de Zack Snyder e apadrinhado por Christopher Nolan.
O filme de Donner convenceu o mundo de que um homem conseguia voar, devido aos seus efeitos especiais de ponta e devido à interpretação fantástica de Reeve, que conquistou o mundo inteiro. E Superman abriu o caminho para os super-heróis no cinema, apesar dos seguintes filmes do género terem sido fracassos (Flash Gordon é um dos maiores). Aliás, apesar de tal porta aberta, seria apenas em 1989 que o género explodiria novamente nas bilheteiras, com Batman, realizado por Tim Burton.
Superman é o filme que deu início a esse sub-género tão popular hoje em dia e é um tipo de F.C. mais apelativo e que consegue ter grandes fãs devido ao seu material de origem.

Amanhã, vamos para 1979 e falaremos de Star Trek, a versão cinematográfica da famosa série dos anos 60. O filme é continuação da série e traz de volta o elenco original e foi um êxito nas bilheteiras, criando assim um dos maiores franchises do cinema, a partir dum material que pensava-se moribundo.

Retrospectiva F.C. #31

Close Encounters of the Third Kind, de Steven Spielberg

No mesmo ano do mega êxito de Star Wars, Steven Spielberg, amigo de George Lucas, estreia esta obra de F.C. que acaba por ser mais uma incursão dentro do cinema dedicado a extra-terrestres. Desta feita, temos aqui a explicação do que é um encontro imediato de terceiro grau, com uma visão algo ligeira e divertida dedicada ao tema. Richard Dreyfuss trabalha novamente com Spielberg, depois de Jaws e temos aqui um clássico do género que ainda hoje é várias vezes referenciado (Toy Story 3, por exemplo).
A F.C. estava a explodir. Star Wars e Close Encounters eram êxitos de bilheteira e crítica, o público estava a delirar por mais contos do género e queriam mais, muito mais!

Amanhã vamos explorar um outro lado da F.C.: os super-heróis. Em 1978, a Warner estreia Superman e o mundo parou para ver um homem voar... e acreditar nisso! E foi aqui que os super-heróis começaram a sua incursão no cinema com toda a força, apesar de muitos altos e baixos.

Get Him to the Greek, de Nicholas Stoller (2010)

Aaron Green, funcionário duma grande empresa discográfica, tem de ir a Londres buscar Aldous Snow, uma super estrela do rock internacional. Depois de algumas atribulações, Green e Snow chegam aos Estados Unidos e estão numa corrida contra o tempo, já que Snow tem de dar espectáculo no famoso Greek Theatre, em Los Angeles. No entanto, a estrela da música, apreciador de drogas e uma pessoa difícil, vai dificultar a vida a Aaron.
Get Him to the Greek traz de volta Aldous Snow, personagem secundária do excelente Forgetting Sarah Marshall. Este Spinoff coloca Snow como protagonista, acompanhado de Aaron Green, interpretado por Jonah Hill, que tinha um papel secundário no primeiro filme mas com uma personagem diferente.
Greek é escrito e realizado por Nicholas Stoller, realizador do filme anterior e produzido por Jason Segel (protagonista do filme anterior) e Judd Apatow (grande influência da comédia americana actual), e tem mais caras conhecidas no elenco, como Sean Combs, o famoso Puff Daddy que, surpreendentemente, está muito bem como o dono da empresa discográfica, tendo uns bons momentos cómicos. Russel Brand está no seu território e Jonah Hill prova que pode ser protagonista duma comédia. De resto, apesar da realização básica de Stoller, temos aqui uma boa comédia, com algumas pitadas de drama pelo caminho, onde podemos encontrar várias situações que não são, de todo, para os corações mais fracos. Uma comédia divertida e bem conseguida, com um dos melhores momentos do ano dentro do género (o momento Jeffrey e toda a sequência do hotel) e uma das melhores frases do ano: This is the longest hallway ever! It´s Kubrickian!
Alvo de sucesso crítico e comercial nos Estados Unidos, é pena que cá não tenha tido o mesmo destino, dado a pouca publicidade e a falta de confiança por parte da distribuidora em criar bom marketing num produto com um elenco algo desconhecido do nosso público.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Retrospectiva F.C. #30

Star Wars, de George Lucas

Já vamos em 30 filmes nesta nossa retrospectiva. E para marcar essa marca, apresentamos o histórico Star Wars, o filme que marcou tanto o género como a indústria cinematográfica para sempre!
O ano é 1977. A Fox publicitava o filme desde o ano anterior, já que a primeira data de estreia era o Natal de 1976. No entanto, devido aos vários problemas de produção e pós-produção do filme, que levaram a que Lucas tivesse quase um ataque cardíaco, a estreia foi adiada para Maio de 77. Os amigos de Lucas, onde estava Brian De Palma, já tinham visto uma versão inacabada do filme e pensavam em que sarilhos Lucas estava, que a sua carreira tinha acabado. Todos, à excepção de Steven Spielberg. Mesmo os actores estranhavam o que estavam a fazer e a grande estrela do filme, Sir Alec Guiness, foi uma das vozes mais conhecidas sobre o seu descontentamento em relação ao filme. A Fox estava nervosa e as redes de cinema não queriam passar o filme. Então o estúdio teve de fazer um acordo: os cinemas passam um filme que vai mais ao encontro do grande público e que poderá ser rentável mas, em troca, terão de passar Star Wars. Alguns concordaram, outros não. Entretanto, Lucas dá a ideia de fazer-se merchandising dedicada ao filme, um acto considerado por muitos de pura loucura. Na Comic Con, muita gente estava já com grande ansiedade em relação ao filme, algo que os produtores não esperavam. E aqui tinham um pequeno vislumbre dos fãs que tinham, ainda antes do filme estrear. E em Maio de 1977, Star Wars estreia.
Depois de todas as complicações, faziam-se filas gigantescas que viravam esquinas, sesões esgotadas durante meses, uma autêntica euforia e o grande nascimento da comunidade geek dava-se aqui, depois dum pequeno impulso dedicado à série Star Trek, que ganhou popularidade depois de cancelada.
Star Wars foi um fenómeno inédito! Todos falavam do filme e todos viam e reviam o filme de Lucas. O filme tornou-se no maior êxito de todos os tempos, destronando Jaws, estreado dois anos antes. E juntamente com Jaws, de Spielberg, criou-se o Blockbuster. E um filme de F.C., genero praticamente moribundo nas bilheteiras, tornou-se num dos pais dos blockbusters, no pai do merchandising dedicado a filmes e foi o filme que mudou a indústria para sempre, mudança essa que tem fortes ramificações ainda hoje, com o forte cinema comercial, o chamado cinema pipoca.
Para o género, Star Wars foi o filme necessário. Um elenco de desconhecidos, à excepção de Sir Alec Guiness, um épico espacial, um grande entretenimento e um dos maiores exemplos de F.C. alguma vez criados, com elementos de fantasia (e não só) à mistura.
O género foi salvo nas bilheteiras com Star Wars. Depois da obra de Lucas, também aclamada pela crítica, todos os estúdios queriam produzir F.C. no cinema (e na televisão) e isso foi muito evidente nos anos seguintes. Os êxitos foram constantes e o género conseguiu, finalmente, reconciliar-se com o grande público.

Apesar do grande impulso que Star Wars deu ao género, em 1977 estreou também outro filme que, se não fosse Star Wars, teria sido o filme de F.C. mais rentável em muito tempo. No entanto, Close Encounters of the Third Kind de Steven Spielberg, o nosso próximo filme, também foi bastante auxiliado pelo êxito esmagador de Star Wars. E Spielberg pega no tema de extra-terrestres, algo que o público gostou muito de ver.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Retrospectiva F.C. #29

The Man Who Fell To Earth, de Nicolas Roeg

Numa altura em que a F.C. nos Estados Unidos estava na mó de baixo, no Reino Unido o aspecto não era tão negro. A televisão britânica tinha, desde os anos 60, a série Doctor Who, que ainda hoje é produzida apesar de várias incarnações, e em 1976 surge este The Man Who Fell To Earth, protagonizado pelo Deus da música David Bowie. Bowie já tinha uma incursão pelo género com Ziggy Stardust e com algumas das letras das suas músicas e, apesar de inicialmente ser um papel destinado a Peter O'Toole, Bowie acabou por ser a pessoa perfeita para o filme, uma obra sobre um extra-terrestre que aterra na Terra.
A obra de Roeg é um filme bastante interessante e diferente da F.C. produzida nos Estados Unidos e é um dos melhores exemplos do género nessa década.

Amanhã, a comemorar a 30ª edição da nossa retrospectiva, teremos o filme que marcaria o género e o cinema, para todo o sempre! Trata-se do filme que deu o empurrão que o género precisava junto do grande público e que definiu a indústria cinematográfica americana de forma tão grande que ainda hoje sentimos a sua força e influência. Trata-se, obviamente, de Star Wars, estreado em 1977.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Harry Potter and the Deadly Hallows - Part 1, de David Yates (2010)

E aqui está a primeira metade do épico final da saga Harry Potter, uma das mais sucedidas de todos os tempos.
Baseado no sétimo e último livro da saga, neste capítulo vemos Harry Potter em fuga de Voldemort e dos seus discípulos. Depois de algumas tentativas mal sucedidas de matarem Potter, este tem de permanecer escondido, na companhia de Hermione e Ron, os seus melhores amigos. No entanto, os três tomam conhecimento dos talismãs da orte, algo que os pode ajudar bastante a derrotar Voldemort.
A Warner teve a ideia de dividir este último capítulo em dois filmes, deixando os fãs a salivar pela conclusão, que estreia apenas no final de Julho de 2011. E com esta primeira parte vemos que tal decisão foi realmente com o intuito de ganhar mais uns milhões, não de aprofundar e melhoras a história e as personagens. O que é pena.
Neste sétimo filme, a história apenas avança no início e no fim, sendo que o meio é aquilo que chamamos de 'palha'. Os três heróis estão em fuga e a história não passa disso. Pelo meio, temos algumas cenas de acção bem conseguidas e, apesar de não avançar na história, a dita 'palha' é palha boa, sendo que consegue entreter o público e, mais importante, consegue ser diferente dos restantes filmes da saga: não temos a escola, as personagens estão cada vez mais adultas o que torna o filme mais adulto e temos cenas que realmente não para as criancinhas que os pais tanto teimam em levar para a sala, convencidos que isto ainda é para eles e não para os adultos. Aliás, desde o terceiro filme que a saga tem ficado mais sombria, pesada e adulta.
O que é pena neste capítulo da saga é a sensação que temos no final: que podiam ter terminado a saga com este filme, claramente, e que temos de esperar, desnecessariamente, durante cerca de 8 meses para vermos a conclusão da saga.

The Social Network, de David Fincher (2010)

The Social Network conta-nos a história da criação da rede social Facebook e os vários problemas que teve. David Fincher aproveita para pegar nessa ideia e criar um conto actual sobre busca de poder, reconhecimento e sucesso, custe o que custar. E com estes pequenos e simples ingredientes, consegue acertar onde, aparentemente, a sequela de Wall Street falhou (aparentemente, porque apenas vi bocados mas não filme todo para o julgar).
Esta obra de Fincher poderia ser um projecto falhado, estivesse ele nas mãos de outro realizador. No entanto, a já habitual excelente realização de Fincher, aliada ao excelente argumento de Aaron Sorkin, conseguem elevar a obra, já para não falar das fantásticas interpretações do elenco, nomeadamente Jesse Eisengerb, Andrew Garfield e até Justin Timberlake. Fincher dá um ritmo imparável ao filme, especialmente no início, onde é depositada informação ao espectador durante o tempo todo. Tudo servido de diálogos inteligentes e bem criados.
The Social Network é o filme menos Finchiano do cineasta. Apenas a cena da competição dos barcos a remos mostra o dedo do realizador. No entanto, é mais uma excelente adição à sua filmografia, um dos melhores filmes do ano e uma forte presença na próxima edição dos Óscares onde poderemos encontrar o argumento de Aaron Sorkin como um dos grandes candidatos na categoria de melhor argumento adaptado.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sessão da Meia-Noite #17/ Retrospectiva F.C. #28

Logan's Run, de Michael Anderson

Passado num futuro aparentemente perfeito, Logan's Run conta-nos a história de Logan, um jovem que vive numa sociedade fechada numa cúpula, onde os seres humanos não têm qualquer tipo de encargo mlaboral, tendo assim tempo para si mesmos. No entanto, ao chegarem aos 30 anos, as suas vidas terminam numa espécie de cerimónia religiosa. Logan eventualmente terá de tornar-se um Runner, as pessoas que fogem para evitarem o seu destino, sendo assim perseguido por Sandman, os indivíduos que oe têm de perseguir e matar. Logan, ao tornar-se um Runner, inflitra-se numa comunidade religiosa e conhece os seus costumes.
Logan's Run é uma produção da MGM e tem aspecto de grande produção, através dos cenários, meios de produção, etc. É um dos raros casos em que o filme foi um êxito sem ter nenhuma grande estrela no elenco. No entanto, novamente, não foi o filme que o género precisava para voltar à ribalta.

Ainda em 1976, amanhã vamos falar de The Man Who Fell to Earth, uma produção britânica de Nicolas Roeg e com David Bowie, esse Deus da música!

Sessão de Culto # 16/ Retrospectiva F.C. #27

Rollerball, de Norman Jewison

1975. Ano de estreia de Rollerball, um dos primeiros filmes que mistura, de forma hábil, desporto com F.C.. Protagonizado por James Cann, actor muito rentável nas bilheteiras, o filme foi um êxito de crítica e de público, dando origem a um pobre remake em 2002, pelas mãos de John McTiernan.
Aqui temos um desporto violento bastante popular, onde os seus jogadores podem perder a vida. Num mundo futurista controlado por grandes empresas, este desporto é um dos grandes vícios do público. No entanto, a maior estrela de Rollerball é quem vai opor-se ao desporto.
Rollerball é um grande entretenimento. Cann está em excelente forma, a realização de Jewison é energética e as cenas de acção estão muito bem, orquestradas. O filme foi um êxito refrescante para a F.C. mas não foi o tal impulso que o género precisava para reconquistar o grande público.

Sábado é dia de Logan's Run (1976), mais uma obra de F.C. passada num futuro distante, com uma sociedade aparentemente perfeita. E foi mais um êxito de bilheteira na altura.

Retrospectiva F.C. #26

Dark Star, de John Carpenter

Em 1974, um jovem realizador estreou a sua primeira longa-metragem. Com um orçamento minúsculo, John Carpenter apresenta ao mundo Dark Star, um filme que era para ser apenas um filmes de estudante. Dan O'Bannon, que mais tarde escreveria Alien, é o co-autor desta comédia de F.C., bem como um dos actores.
O orçamento pequeno nota-se perfeitamente. Temos aqui uma obra experimental, com meios reduzidos onde destacamos o extra-terrestre assassino perseguido por O'Bannon, composto de uma bola de praia com pés peludos e unhas grandes.
Considerando que a F.C. estava na mó de baixo nas bilheteiras, excepto quando eram filmes protagonizados por grandes estrelas, os restantes filmes eram, na sua maioria, de baixo orçamento e muito experimentais (THX 1138 é um exemplo claro). O público continuava a querer ver filmes mais realistas e crus do que ver aventuras espaciais. Na televisão passavam as repetições de Star Trek, série que começou a dar mais nas vistas depois de cancelada, ainda na década de 70. Aliás, uma série de animação foi criada com as vozes de William Shatner e Leonard Nimoy, para dar seguimento às aventuras da Enterprise. Essas aventuras eram claramente destinadas a um público mais juvenil que era um dos grandes apreciadores da série original. De resto, mesmo na televisão, a F.C. estava em baixo.
Dark Star foi um êxito de crítica mas não de público. No entanto, conseguiu abrir as portas a John Carpenter (e não só) e ganhou estatuto de culto.

Sexta-Feira é dia de desportos do futuro com Rollerball, de Norman Jewison, mais um êxito de bilheteira devido à presença de James Cann.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Retrospectiva F.C. #25

Soylent Green, de Richard Fleischer

1973. Os Estados Unidos estão em guerra com o Vietnam, os hippies estão em força, um dos grandes lemas mundiais é 'Fazer amor, não guerra', as drogas estão a ganhar terreno. O mundo está a mudar drasticamente a nível de pensamento, de evolução e de cultura. E isso nota-se no cinema. O aspecto colorido e bonito dos filmes começa a ser trocado pelo realismo e violência de certas obras, algo que começou a ser evidente no final da década de 60, com obras como Easy Rider, e no início da década de 70, com filmes como The Godfather. O cinema estava a mudar, tal como o mundo à sua volta. Devido a tais mudanças, o público começou a dirigir-se para obras mais escuras, menos alegres. E isso foi bom e mau para a F.C..
O género que levara pessoas a outros mundos e universos, que levara o público ao futuro e que apresentara monstros às audiências, estava num estado pobre nas bilheteiras, salvo excepções. E hoje falamos duma dessas excepções.
Protagonizado pela grande estrela Charlton Heston, que estava a trocar os épicos bíblicos pela F.C. desde Planet of the Apes, Soylent Green foi um êxito de bilheteira. A história dum detective da polícia que é perseguido pelo governo após investigar um novo produto alimentar conseguiu apelar ao público. O filme passa-se num planeta Terra futurista e com população a mais e consegue ser uma obra eficaz de aventura e ficção, com uma revelação chocante.
O filme ganhou estatuto de culto e é muitas vezes referenciado e filmes ou séries como, por exemplo, na série Millennium, onde a personagem de Frank Black utiliza a frase revelação de Soylent Green como password no seu computador.
O filme de Richard Fleischer é uma das obras de F.C. mais conhecidas da década de 70 e um bom exemplo do género.

Amanhã, vamos introduzir John Carpenter na nossa retrospectiva com a sua obra de estreia, Dark Star, uma comédia de F.C. escrita por Carpenter e Dan O'Bannon que escreveria depois Alien, de Ridley Scott. Dark Star tem uma particularidade curiosa: o extra-terrestre assassino qu é perseguido por O'Bannon (também actor neste filme) é protagonizado por... uma bola de paria com pés estranhos.

Retrospectiva F.C. #24

Solaris, de Andrey Tarkovskiy

Em 1972, na Rússia, estreava este Solaris, do cineasta Andrey Tarkovskyi, um cineasta bastante aclamado pelas seus filmes de grande qualidade. Desta vez, o realizador enverga pela F.C. e cria um dos filmes mais importantes do género. Um filme calmo, com um cuidado especial pelos enquadramentos e que resulta numa obra muito boa. O filme daria origem a um remake, realizado por Steven Soderbergh, produzido por James Cameron e protagonizado por George Clooney. O filme estreou em 2002 e infelizmente foi publicitado da forma errada, quando a Fox verificou que poderia (e teve) ter um flop nas mãos: em vez de publicitar o filme como sendo um remake de um dos maiores filmes de F.C., publicitou o filme como sendo onde Clooney mostrava... o rabo! O filme foi um flop mas é um filme algo subvalorizado, sendo uma boa obra intimista e com Clooney em grande forma.
A obra de Tarkovskyi é uma verdadeira pérola da F.C., um filme bastante importante para o género e um dos seus grandes exemplos da década de 70. No entanto, nos Estados Unidos, a F.C. estava em força a nível de produção, já que nas bilheteiras, apenas os filmes com estrelas de cinema resultavam. De resto, eram fracassos atrás de fracassos. O género estava na mó de baixo.

Amanhã vamos falar duma das excepções. Protagonizado por Charlton Heston e estreado em 1973, Soylent Green foi um dos poucos êxitos de bilheteira dentro da F.C.. O filme acabou por, eventualmente, ganhar estatuto de culto.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #23

Silent Running, de Douglas Trumbull

2001 - A Space Odysey foi uma das grandes influências para a F.C. da década de 70. Prova disso é este Silent Running, um filme que tem uma forte mensagem ecológica enquanto consegue enquadrar-se perfeitamente na F.C. típica da década em questão.
Aqui temos um filme basicamente centrado numa única pessoa (Bruce Dern), acompanhado por três robots, quando o cosmonauta torna-se renegado após ser instruído de destruir florestas.
O aspecto visual do filme é algo marcante e muito inspirado na obra de Stanley Kubrick: cenário complexos e muito fechados, dando uma certa sensação claustrofóbica, um aspecto que resulta muito bem neste tipo de filmes.
A ideia base deste Silent Running é uma das grandes influências do recente Moon, de Duncan Jones. Não no aspecto da mensagem ecológica mas sim no tipo de F.C. solitária e claustrofóbica que ambos partilham. Mas quanto a Moon, falaremos dele na devida altura.
Silent Running é um dos marcos da F.C. da década de 70 e um dos que causou mais impacto a nível visual, juntamente com 2001. Uma obra de culto que merece ser (re)descoberta.

Amanhã vamos deixar as produções americanas e britânicas e vamos para a Rússia, onde, em 1972, foi estreado Solaris, de Andrey Tarkovskiy, um dos grandes clássicos da F.C..

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Leslie Nielsen R.I.P.


Ainda há duas semanas, no seguimento da programação da Retrospectiva F.C., falámos de Forbidden Planet, onde o protagonista era um jovem Leslie Nielsen. Mal se sabia na altura que o actor tornar-se-ia numa das grandes figuras da comédia non-sense. No início da década de 80, entra em Airplane, uma das mais loucas comédia da história do cinema e brilha. Eventualmente, ficaria conhecido como o tenente Frank Drebin nos filmes Naked Gun, baseados na série de televisão que durou apenas 6 episódios, um produto avançado demais para a altura que estreou.
Ontem, Leslie Nielsen faleceu e deixou para trás um legado que, apesar de conter filmes duvidosos, apresenta várias pérolas da comédia. Mais uma perda para o mundo do espectáculo, que tanto já perdeu este ano.

Retrospectiva F.C. #22

THX 1138, de George Lucas

Ainda em 1971, ano de estreia do polémico A Clockwork Orange, um realizador desconhecido estreia nas salas um pequeno filme de F.C. baseado num filme de estudante. Este filme é apadrinhado por Francis Ford Copolla e é escrito e realizado por George Lucas.
O filme é mais uma incursão por um futuro sem alma, mecanizado e com um controle incrível, numa sociedade recheada de proibições. tentando criar um mundo perfeito. No entanto, algo corre mal e há alguém que encontra o seu lado humano e luta para mantê-lo.
THX 1138 tornou-se num grande clássico de culto e numa das obras máximas da F.C. da década de 70. A ideia duma sociedade tecnológica mas sem humanidade foi usada vezes sem conta na F.C. e encontramos sempre obras interessantes que exploram esta ideia.
George Lucas era aqui um jovem realizador e ninguém adivinhava que, anos mais tarde, seria o realizador do filme que mudaria Hollywood para sempre, que daria um enorme impulso à F.C. e que criaria um império dentro da indústria cinematográfica americana, com a criação de vários negócios ligados aos efeitos especiais (Industrial Light and Magic), som (Skywalker Sound e THX), etc.
Tudo começou aqui, com esta obra pequena e barata, com um espírito de cinema independente, algo que estava a começar a marcar grande presença no cinema americano, com o surgimento, uns aninhos depois, de Martin Scorsese, Steven Spielberg (outro grande nome da F.C.), Brian DePalma, entre outros. Para não falar da explosão que foi Copolla, com Godfather!
Lucas foi um dos pioneiros da Nova Hollywood e tudo começou com este THX 1138, um dos filmes de F.C. mais influentes do cinema.

Amanhã vamos continuar em 1971 e vamos falar de Silent Running, uma pequena obra de F.C. que ganhou grande estatuto de culto e é recordada por muitos fãs do género. Até foi referenciada em Six Feet Under.

sábado, 27 de novembro de 2010

Sessão da Meia-Noite #16/ Retrospectiva F.C. #21

A Clockwork Orange, de Stanley Kubrick

Dois anos depois de 2001 - A Space Odyssey, Kubrick volta a terreno de F.C. com este A Clockwork Orange, um dos filmes mais polémicos de sempre, tendo sido banido do Reino Unido, por exemplo.
O filme, baseado na novela de Anthony Burgess, conta-nos a história de Alex DeLarge, um delinquente que, após ser preso, voluntaria-se para uma terapia experimental desenvolvida pelo governo. No entanto, as coisas não resultam como se esperava e Alex vai criar algum caos, onde está envolvido violação, muita violência e Beethoven.
Com a acção a ter lugar num Reino Unido no futuro, Kubrick cria uma obra que deu bastante que falar na altura (e ainda hoje!) e dá um novo toque à F.C., novamente provando que o género pode ser complexo, artístico e com temas bastante polémicos. Era óbvio que, aos olhos de Kubrick, a F.C. não era para leigos e não era só viagens no espaço, extra-terrestres, invasões alienígenas, etc. Para Kubrick era muito mais que isso, como é provado com 2001 e esta obra.
Como é óbvio, o sucesso de bilheteira não é o que mais se destaca nesta obra, nem a opinião da crítica, onde muita gente ficou chocado e ofendida com o que via. No entanto, apesar de ser reconhecido logo na altura da sua estreia, foi com o passar dos anos que este filme conseguiu ganhar um estatuto ainda maior e conseguiu tornar-se numa das obras principais de Kubrick, do Cinema e da F.C.. No entanto, 1971 teve ainda mais exemplos para o género...

O ano de A Clockwork Orange é também o ano da estreia cinematográfica de um dos nomes mais importantes do cinema de F.C. Baseado no seu filme de estudante e com o apoio de Francis Ford Copolla, George Lucas estreia a sua primeira longa-metragem e consegue criar um filme influente e importante para o género. Falamos, claramente, de THX 1138.

Sessão de Culto # 15/ Retrospectiva F.C. #20

2001 - A Space Odyssey, de Stanley Kubrick

Numa altura em que Star Trek encantava os mais jovens na televisão, embora as audiências não fossem as melhores e ditassem o fim da série em 1969 (tendo começado em 1966), o cinema decidiu aventurar-se pelo espaço também. E foi pelas mãos do mestre Stanley Kubrick que escreveu juntamente com Arthur C. Clarke, este 2001 - A Space Odyssey, baseado num conto de Clarke.
O filme tem início na pré-história, quando o homem das cavernas descobre um monólito negro de origem desconhecida. Este monólito é descoberto novamente milhões de anos mais tarde e é o que nos leva a esta autêntica odisseia pelo espaço.
Kubrick cria um filme de poucos diálogos, onde a imagem conta a história, sempre acompanhado de música clássica. E Kubrick consegue dar um forte poder visual ao filme, algo típico nos seus filmes. As mensagens da obra não são fáceis de descobrir mas a ideia é mesmo não perceber o filme totalmente. Aliás, o próprio Arthur C. Clarke admitiu que se as pessoas percebessem 2001, então tinham falhado redondamente. A obra de Kubrick serve para colocar perguntas e discutir as mesmas.
2001 - A Space Odyssey foi uma forte aposta da MGM. Foi um dos poucos filmes a ostentar o novo logótipo azul do estúdio, foi um dos filmes de F.C. mais rentáveis da altura, numa época em que o género estava na miséria, com excepção de alguns casos. A obra de Kubrick podia ter ressuscitado o género mas, apesar de ser um dos mais rentáveis da altura, não foi um grande êxito de bilheteira e a crítica e púbico não o receberam de braços abertos, tendo sido um filme descoberto com o passar dos anos e, assim, ganhar o estatuto que hoje tem, merecidamente.
Depois do filme de Kubrick, a F.C. continuou a ser um género rentável e Kubrick mostrou que também era um género pouco percebido pelo grande público. Mas a incursão de Kubrick pelo género não havia terminado.

De seguida, vamos para a década de 70, com o primeiro filme choque da década (e houve muitos!): A Clockwork Orange, novamente com Kubrick a mexer na F.C. mas de forma ousada e extremamente polémica.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #19

Barbarella, de Roger Vadim

Ainda em 1968 estreia este Barbarella, distribuído pela Paramount Pictures. O filme é baseado nos comics de Jean-Claude Forest e é o primeiro comic a ser adaptado para longa-metragem. O filme conta-nos a história de Barbarella que, num futuro distante, tem de encontrar o maléfico Durand-Durand e impedir os seus planos. Pelo caminho, Barbarella encontra pessoas estranhas.
O filme, produzido pelo recém falecido Dino De Laurentiis, é um produto típico do seu tempo: o filme é kitsch absoluto, com cenários e roupas saídas direitinhas da mentalidade de alguém que parou no tempo na década de 60. O filme foi um fracasso de bilheteira e de crítica, sendo mais um flop dentro do género de F.C. nessa altura, época em que a F.C. deixara de ser um género rentável (com certas excepções como Planet of the Apes). O flop foi ainda maior porque a protagonista era a estrela Jane Fonda, filha do lendário Henry Fonda.
Barbarella conseguiu, com o passar do tempo, ganhar um estatuto de culto enorme. O filme é um produto único e diferente e consegue fazer o espectador voltar atrás no tempo, tão anos 60 que é. Na altura, o filme não causou grande influêcia no género mas eventualmente, conseguiu inspirar artistas futuros, como a banda Duran Duran, por exemplo.
Barbarella acaba por ser um dos primeiros e grandes exemplos que mulheres fortes na F.C., conseguindo misturar o género com uma forte componente sexual, algo muito utilizado mais tarde em comics e certas obras de F.C. (e não só). Um dos maiores símbolos femininos da F.C..

Amanhã vamos avançar um ano e apresentar aquele que é considerado por muitos o maior filme de F.C. de sempre. Um verdadeiro clássico do Cinema e uma obra brilhante, complexa e difícil de decifrar. Falamos, claro está, de 2001, de Stanley Kubrick.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #18

Planet of the Apes, de Franklin J. Schaffner

Em 1968, a Fox estreia este Planet of the Apes nos cinemas e o resultado foi um êxito estrondoso, exactamente aquilo que o género de F.C. precisava na altura. A crítica ficou rendida ao filme, tal como o público e toda a gente ficou em choque com o final surpreendente do filme. O filme acabou por dar origem a quatro sequelas, uma série de televisão e uma outra série, desta feita de animação. O filme acabou por tornar-se num franchise rentável para o estúdio que, em 2001, estreou um remake pelas mãos de Tim Burton (que insistiu que não era um remake mas uma adaptação mais fiel ao livro original, da autoria de Pierre Boulle) e brevemente irá estrear um reboot da saga.
O filme tinha como protagonista essa grande estrela dos filmes épicos baseados nas histórias da Bíblia, Charlton Heston. Heston era uma grande estrela na altura e foi uma das grandes atracções do filme. O filme em si é um excelente entretenimento, com um bom um ritmo e que consegue prender o espectador até ao final surpreendente.
Planet of the Apes é um dos grandes clássicos do cinema de Aventura e F.C., que ainda hoje consegue ser uma obra fresca e divertida. Na altura, a F.C. já não era tão popular e este foi um dos maiores êxitos do género e um marco.

Amanhã, vamos continuar em 1968 e vamos acompanhar as aventuras de outra grande estrela do cinema, Jane Fonda, em Barbarella, um filme recheado de Kitsch, acabando por ser um produto muito preso à década de 60.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #17

Fantastic Voyage, de Richard Fleischer

Ontem cometemos um pequeno engano ao anunciarmos o filme desta noite como sendo o clássico Planet of the Apes. Não é. Estavamos a deixar, por acidente, outro clássico da década, este Fantastic Voyage, uma aventura de F.C. de 1966 onde um grupo de cientistas fica de tamanho reduzido para poderem salvar um diplomata que sofreu um atentado. Como é que o vão salvar? Entrando no corpo do diplomata, numa nave, de forma a poderem identificar o problema que o poderá matar.
Fantastic Voyage foi um grande êxito na altura, um dos poucos dentro do género, já que a F.C. perdera muito da sua popularidade e agora os êxitos não eram muitos. Na época, o que estava na moda eram agentes secretos (James Bond já tinha estreado e iria usar Donald Pleasence, um dos actores deste Voyage, num dos seus filmes), filmes de guerra, comédias algo non-sense (Pink Panther, por exemplo). A F.C. já não era um género tão rentável como havia sido na década anterior mas conseguia ainda ter alguns êxitos nas bilheteiras. E este Fantastic Voyage foi um dos maiores.
A ideia parece ser algo inspirada no clássico The Incredible Shrinking Man e foi utilizada anos mais tarde no divertido Innerspace (1988), de Joe Dante e produzido por Steven Spielberg. Este Fantastic Voyage é um filme de bom entretenimento e acaba por ser um filme ligeiro e divertido de se ver. E é um dos marcos da F.C. americana dos anos 60.

Amanhã sim, vamos para 1968 e viajar até ao Planeta dos Macacos, um filme intemporal e um dos grandes clássicos da F.C..

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #16

Fahrenheit 451, de François Truffaut

Depois de Alphaville, o cinema de F.C. francês continua em força com esta obra prima de Truffaut. O filme, falado em Inglês, passa-se num futuro onde praticamente não há qualquer tipo de liberdade criativa e de pensamento. Existem grupos de homens que destroem livros e materiais onde se pode expressar livre pensamento e ideias criativas. Um futuro atípico, algo que seria usado em várias outras produções.
Aqui temos mais um grande clássico do cinema, de um dos grandes autores cinematográficos de sempre. O filme é tipico dos anos 60 (estreou em 1966) e é uma obra muito bem realizada e uma grande valia para o género.
Na nossa retrospectiva, este Fahrenheit 451 marca a estreia duma ideia muitas vezes usado na F.C.: uma ideia dum futuro controlado, onde não há liberdade de expressão e onde tudo o que pode ser considerado arte é um acto de revolta. Uma visão dum futuro aparentemente limpo e perfeito mas que acaba sempre por ser mais sombrio e desumano do que se esperaria. Esse tipo de futuro atípico e supostamente controlado será usado vezes sem conta em obras menos comerciais e em grandes blockbusters (A Ilha, de Michael Bay, é um exemplo neste departamento). Quando é bem feito é sempre um tipo de filme muito interessante. Teremos mais alguns casos na nossa retrospectiva.

Amanhã vamos voltar aos Estados Unidos. Será a vez do grande clássico de 1968, Planet of the Apes.