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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Artigo: O Caso John Carter

A 9 de Março deste ano, estreou nos cinemas americanos John Carter, uma mega-produção da Disney com um orçamento de 250 milhões e um marketing com um custo de cerca de 100 milhões de dólares. O filme é uma adaptação da obra de Ficção Científica de Edgar Rice Burrows, uma obra de grande influência dentro do género, tendo servido como uma das principais fontes de inspiração a filmes de enorme sucesso como Star Wars e Avatar. Hollywood tentava fazer esta adaptação à décadas e foi a Disney que conseguiu tal façanha.
No entanto, apesar de haver grandes expectativas à volta do filme, haviam peritos da indústria que previam que John Carter iria ser um flop de dimensões épicas.
No dia de estreia, a Disney teve a pior das notícias: John Carter estreou em primeiro lugar com apenas 9 milhões de dólares, valor esse muito baixo considerando o custo do filme. No seu segundo dia de exibição, desceu para segundo lugar com 12 milhões e assim acabou o seu fim-de-semana de estreia: em segundo lugar com 30 milhões no box-office, atrás de The Lorax, uma animação da Universal que havia estreado no fim-de-semana anterior.
 John Carter, um dos mais fracassos de sempre
Tal estreia teria sido boa para um filme deste género e com um orçamento mais modesto. Mas não para John Carter e para a Disney. Os fãs de F.C. ficaram satisfeitos com o filme e esperavam que o mesmo tivesse boas pernas no box-office. A nível de crítica, a opinião ficou dividida. O público considerou o filme como sendo mediano e a sua elevada dose de fantasia e F.C. não é exactamente aquilo que vai ao encontro dos gostos mais generalistas, para não falar do 3D, que afasta cada vez mais o público devido aos custos elevados dos bilhetes.
 No segundo fim-de-semana, as dúvidas dissiparam-se: o filme teve uma descida de 55%, provando que o público em geral não estava entusiasmado com a oferta da Disney. John Carter havia acumulado apenas 53 milhões. No entanto, havia esperança, devido ao seu rendimento global: no fim-de-semana de estreia, Carter foi o filme mais visto no mundo inteiro, com cerca de 70 milhões, uma estreia mais simpática. Mas as descidas surgiram também no mercado internacional. Após o seu segundo fim-de-semana, a Disney anunciou que iria ter uma perda de cerca de 200 milhões com John Carter, descartando imediatamente uma possível franchise à volta do filme.
Chegado ao seu quarto fim-de-semana, John Carter acumulou apenas 66 milhões no box-office americano e cerca de 254 milhões a nível global, tendo poucas hipóteses de atingir a meta dos 300 milhões, valores desastrosos para a Disney. O filme tem tido sempre descidas de mais de 60%, o que indica que o seu público alvo foi ver o filme no fim-de-semana de estreia e que o público em geral não tem interesse no épico da Disney. E a questão surge: de quem é a culpa?
O 5º maior flop de sempre
Muitos apontam as culpas para o próprio estúdio, o que poderá não estar muito longe da verdade: após o mega flop que a Disney teve o ano passado com Mars Needs Moms (estreado exactamente no mesmo fim-de-semana de John Carter, com um orçamento de 150 milhões e tendo rendido cerca de 23 milhões) e com o azar que teve, no mesmo fim-de-semana no ano 2000, com Mission to Mars (mais um filme acerca de Marte, produzido pela Disney e que fracassou), o estúdio decidiu mudar o título de John Carter of Mars para apenas John Carter.
Com o passar dos meses, pouco se ouviu acerca de John Carter. Sabia-se apenas de novidades de elenco, que o filme estava em produção e que a Disney tinha dado um orçamento gigantesco ao filme. Até que, mais para o final de 2011, surgiu o primeiro teaser e o primeiro poster. O poster teaser anunciava apenas que John Carter chegava em 2012, assumindo assim a Disney que havia uma base de fãs enorme e o teaser trailer pouco revelava do filme.
Nos últimos meses, o marketing dedicado ao filme surgiu em toda a sua força e foi muito criticado, devido a posters poucos apelativos, trailers que dão a entender tratar-se duma aventura com contornos fantásticos e sem dar muito a entender a sua forte vertente dentro do género da Ficção Científica. Um spot televisivo lançado na televisão americana e na internet na semana antes da estreia provou o desespero da Disney para que o filme fosse um êxito com o slogan "Antes de Star Wars, antes de Avatar, havia John Carter". A Disney falhou ainda em tentar chamar o público feminino, não dando destaque algum ao triângulo amoroso que faz parte da história, conseguindo assim apenas apelar aos poucos fãs da obra de Burrows e a um público masculino que era, de alguma forma, mais limitado.

 Um claro exemplo do mau marketing de John Carter.
Com uma aparente vergonha por parte da Disney em querer vender ao público um filme de Ficção Científica e Aventura, para não falar na ideia errada que a Disney tinha de que a obra de Edgar Rice Burrows era duma popularidade enorme, a Disney acaba assim por ter um dos maiores fracassos comerciais da história do Cinema.
John Carter é um caso evidente que, por vezes, os estúdios têm visões demasiado ambiciosas, dando orçamentos demasiado elevados a filmes que nunca têm hipóteses de recuperar tal investimento. Em 2010, a Universal cometeu esse mesmo erro com The Wolfman e Robin Hood, de Ridley Scott, duas obras que não tinham demasiado apelo comercial para justificarem os orçamentos de 150 e 200 milhões, respectivamente. The Wolfman rendeu cerca de 65 milhões no box-office americano, valor muito razoável para um filme do género mas que foi considerado um flop devido ao seu excessivo orçamento. Já Robin Hood rendeu 105 milhões nos Estados Unidos, novamente um valor muito razoável (é o segundo filme de Robin Hood mais rentável de sempre) mas também considerado um flop devido ao seu orçamento elevado. Ambos estes filmes têm um público limitado e o mesmo acontece com John Carter. Junta-se ainda o facto de Carter ter um elenco com nomes pouco apelativos ou conhecidos do grande público e um género (F.C.) que, por si só já é limitado e o fracasso era certo.
Star Wars triunfou devido ao seu universo vasto e ao facto de ser algo inédito no Cinema até à altura, conseguindo a rara proeza de ser uma fantasia de F.C. que conseguiu agradar o público em geral; Avatar apresentou um mundo novo, através duma nova tecnologia (3D) que conseguiu encantar o público, apesar da sua história simples mas mais cativante para as grandes massas; John Carter é um filme que veio tarde demais: o mundo novo que nos apresenta não é muito apelativo (é um deserto gigantesco), tudo o que os trailers e posters mostravam pareciam cópias de Star Wars e Avatar e não é algo muito conhecido do grande público.
Taylor Kitsch é John Carter. Mas... quem é ele?
Rapidamente, Carter foi comparado a outro mega flop da Disney, Prince of Persia, um nome mais conhecido do público em geral e que se encaixa dentro dum género mais apelativo: aventura. No entanto, Persia tinha nomes mais conhecidos, rendeu 90 milhões nos Estados Unidos (com um orçamento de 200) e foi um êxito considerável a nível global. Por sua vez, Carter terá dificuldades a chegar aos 75 milhões, isto com um orçamento mais elevado.
John Carter é um projecto ambicioso, gerido de forma errada pelo estúdio que o financiou, estúdio esse que não encontrou a forma certa de publicitar a sua enorme aposta e que poderá ter uma visão errada do mercado generalista, para não falar do orçamento desnecessariamente elevado que deu ao filme. Para além disso, a qualidade do filme também está em causa: com um orçamento tão alto, esperava-se que John Carter fosse um filme de entretenimento de grande qualidade, capaz de agradar ao público em geral e com uma forte aposta no elenco e no argumento. O resultado final acaba por ser uma obra mediana, com um aspecto visual muito bom mas que fica muito limitado devido a um protagonista pouco carismático e a um argumento cheio de lugares comuns e com várias falhas, sendo assim um bom entretenimento para um Domingo à tarde e não a obra marcante que precisava de ser.

sábado, 24 de abril de 2010

O problema do 3D

'O que está a passar em 3D?', foi a questão que ouvi uns dias atrás na entrada dum cinema, substituindo a vulgar 'Quais são os filmes em exibição?'. E esta simples questão confirma que o espectador de cinema comum está a começar a ficar mal habituado com esta nova moda de filmes 3D.

A tecnologia 3D está cada vez mais popular e Hollywood está a apostar ainda mais no formato (ainda hoje foi anunciado o adiamento de The Green Hornet para 2011 para que fosse convertido e foi oficializada a conversão de The Last Airbender, de M. Night Shyamalan), criando assim um mau hábito nos espectadores de que tudo o que for apresentado em 3D deve ser visto em detrimento de obras (muitas vezes de superior qualidade) que são apresentadas em 35mm (ou projecção digital). E isto começa a ser um mau sinal. Há casos em que as pessoas sabem que um filme é mediano ou simplesmente mau mas gastam o seu dinheiro pois é em 3D e querem ver os efeitos, algo que acaba por não fazer sentido (mas já vi acontecer com Alice in Wonderland em que a pessoa em questão tinha sido informada que o filme não era muito bom e queria ver à mesma apenas por ser em 3D).
Neste momento, os filmes em 3D são a galinha dos ovos de ouro dos estúdios e das distribuidoras, com o custo adicional que vem com cada bilhete (prática utilizada em todo o mundo) e, portanto, é normal que as apostas sejam cada vez mais. No entanto, nem sempre se justifica um filme estar em 3D. Neste momento, temos nas nossas salas um caso evidente: Clash of the Titans.

O filme de Louis Leterrier foi filmado como todos os outros e nem sequer foi pensado para 3D. Devido ao gigantesco êxito de Avatar (filme que foi filmado na nova tecnologia e teve um uso brilhante do 3D), a Warner decidiu, à última da hora, adiar o filme uma semana (para que a sua estreia nos Estados Unidos não colidisse com a de How to Train Your Dragon, também em 3D) e convertê-lo para 3D. O resultado final é triste e ofensivo para o espectador, onde o filme está quase todo em 2D (com as legendas em 3D) e as cenas de acção ficam com uma qualidade ridícula, onde não se percebe quase nada, devido à má conversão. É evidente que a Warner não acreditava muito no sucesso do filme e, convertendo em 3D, o filme conseguiria assim ser um êxito de bilheteira. E a técnica, infelizmente, resultou, apesar de haver inúmeras pessoas, pela net fora, a criticar a conversão(para não falar da qualidade do filme).
Clash of the Titans é um exemplo claro do pior que se pode fazer com a tecnologia: o estúdio não acredita no filme e decide converter, ficando com os bilhetes de cinema mais caros e obtendo assim o lucro desejado. E o enganado é o espectador que, estando na moda do 3D, dá especial atenção aos filmes projectados desta forma (temos um exemplo claro em Avatar, em que pessoas preferem não ver o filme sequer, já que não o podem ver em 3D, dando assim mote a outro assunto: o 3D melhora a qualidade dum filme?)
A resposta é um claro e óbvio NÃO. A tecnologia 3D é apenas um complemento para ajudar a contar a história do filme. Se é bem utilizado em certos casos? É certo que sim (Avatar utiliza o 3D de forma imersiva para que o espectador possa sentir-se mais próximo de Pandora, planeta criado por James Cameron, e mesmo How to Train Your Dragon tem um bom uso da tecnologia, com sequências aéreas bem obtidas). Mas nem todos os filmes precisam de 3D (como, por exemplo, Clash of Titans). No entanto, o público vê tudo o que há em 3D apenas porque... está em 3D! Se o mesmo filme não estiver em 3D, já não querem ver, com a ideia que determinado filme só merece ser visto dessa forma. Esquecem-se do pormenor importante: o que torna um filme num bom filme é a história, a forma como o mesmo é executado, interpretado, etc.. O 3D é, como já disse, um complemento que só deve ser utilizado quando realmente há um bom motivo para tal (tirando o de fazer mais dinheiro nas bilheteiras, com a rápida conversão).

A última questão deste assunto complicado do 3D tem a ver com a já referida conversão de filmes: o próprio James Cameron já criticou Hollywood por estar a utilizar a tecnologia de forma errada, indicando que são os realizadores que têm de querer filmar em 3D e não os estúdios que têm de querer converter um filme para 3D. Michael Bay teve o melhor momento da sua carreira ao dizer que já não quer que Transformers 3 (estreia em Julho de 2011) seja em 3D pois teria de filmar normalmente e depois converter. Bay diz ainda que, neste momento, a conversão dum filme para 3D é de má qualidade (e tem razão. Não é querer bater no ceguinho mas Clash of Titans é mesmo ofensivo). Até já estão a surgir trailers que começam a diferenciar estas duas formas (temos o exemplo do Teaser de Resident Evil Afterlife, que diz mesmo que é filmado em 3D).
Filmar em 3D é mais dispendioso para os estúdios e a conversão em pós-produção é um método mais barato e simples. E, enquanto que algumas (poucas) super-produções vão ser filmadas em 3D, os filmes com orçamento mais baixo é que poderão marcar a diferença: orçamento menor significa que poderão usar um pouco mais para filmar com a nova tecnologia, apresentando um 3D de melhor qualidade ao espectador, tornando evidente a diferença de qualidade entre filmado e convertido.
O 3D poderá ser uma nova forma de ver cinema, onde proporciona uma experiência diferente ao espectador. E é, afinal de contas, uma nova forma de combater a pirataria. No entanto, com o surgimento dos televisores 3D, as receitas vão começar a ser menores e, eventualmente, começará a ser algo vulgar. No entanto, para bem ou para mal, o 3D está aqui para ficar por mais uns bons tempos. Só é pena que o público esteja mal informado e mal habituado, querendo só ver neste novo formato e deixando os filmes projectados normalmente de parte.

Podem deixar os vossos comentários em baixo, se assim o desejarem.

domingo, 18 de abril de 2010

Em breve...

... apresentaremos um pequeno texto sobre a nova tecnologia 3D e como está a influenciar (em muitos casos pela negativa) o público que frequenta as salas de cinema. Tudo porque esta semana estreou entre nós Clash of the Titans em versão 3D (não foi filmado com essa tecnologia mas sim convertido em pós-produção e à pressa) e à que dizer que a qualidade da tecnologia neste filme é de uma pobreza enorme (ainda não vimos o filme mas tivemos oportunidade de ver partes em 3D), sendo o exemplo perfeito de que os filmes para serem apresentados em 3D, têm de ser filmado e não convertidos, sendo esta uma forma de ganhar dinheiro enganando as pessoas.

Em breve, apresentaremos o texto e esperamos as vossas opiniões.

sábado, 24 de outubro de 2009

Saw VI derrotado - Era uma questão de tempo

Este fim-de-semana estreia o novo capítulo daquela que é a saga de terror mais bem sucedida dos últimos anos. A saga Saw vai para o seu sexto filme e os produtores já planeiam ir até ao oitavo filme.
Contando sempre com estreias de cerca de 30 milhões de dólares, os filmes são sempre produzidos de forma barata e sempre pagos no fim-de-semana de estreia. Apesar das receitas baixarem sempre (o segundo rendeu cerca de 87 milhões e o quinto ficou-se pelos 56 milhões), os filmes são sempre lucrativos.
A nível de crítica, as opiniões têm piorado com cada filme que estreia. Mas agora, tudo está prestes a mudar para a saga Saw.
A nível de crítica, o inesperado aconteceu: uma boa parte tem sido positiva, sendo uma grande melhoria sobre os últimos capítulos (está, neste momento, nos 42% nos Rotten Tomatoes), tendo a segunda melhor classificação da saga. Mas a nível de bilheteira, as coisas estão a piorar: esta Sexta-Feira, Saw VI rendeu uns fracos 7 milhões (o filme anterior fez 14 milhões) e vai para um final de cerca de 16-18 milhões.

Isto vem a provar que a saga já está desgastada e que começa a perder o seu público (e já ter chegado a seis filmes é obra, hoje em dia, para uma saga de terror). Os filmes anteriores desiludiram fãs e eram repetitivos, com twists narrativos ilógicos e forçados.
Saw VI foi também prejudicado pelo factor Paranormal Activity. Esta nova obra de terror, de baixíssimo orçamento, aumentou o número de salas para quase 2000 e conquistou o primeiro lugar na Sexta-Feira, fazendo mais de 7 milhões, indo a caminho dos 20-22 milhões. O filme já conta com 40 milhões de dólares de lucro e vai rumo aos 100 milhões.

Paranormal Activity está a tornar-se um fenómeno cultural, daqueles que já não se via há muito tempo (um dos últimos casos foi o semelhante Blair Witch Project, exactamente dez anos atrás). O público tende a aumentar de semana para semana, a estratégia da Paramount em distribuir o filme tem sido eficaz, o 'buzz' tem sido enorme, as críticas (algumas exageradas, considerando o filme mais assustador de sempre) foram excelentes e o filme está a caminho de ser um dos mais rentáveis na história do estúdio. E, pelo caminho, faz prejuízos (o remake da Sony, The Stepfather, teve uma estreia modesta), sendo a maior Saw VI.

A Lionsgate planeava estrear Saw VII em Outubro de 2010 (como sempre), no formato 3D. Mas agora, poderá repensar a situação. Apesar de tudo, Saw VI não será o flop que muitos vão dizer que é. O filme tem um orçamento baixo (talvez 15 milhões), será pago no fim-de-semana de estreia, ainda tem o fim-de-semana de Halloween pela frente (que poderá dar uma ajuda) e deverá ficar pelos 35 milhões, 40 milhões, uma descida considerável mas ainda rentável.

De qualquer forma, Saw VII irá estrear em 2010, decerto. O formato 3D tem sido bastante rentável (e o género do terror tem sido exemplo disso, com My Bloody Valentine 3D e Final Destination 3D a serem êxitos de bilheteira) e isso poderá dar um impulso à saga.

Concluindo, isto já seria de esperar: surgir algo que desse um empurrão a Saw. E a altura chegou, finalmente.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Verão 2009 - Um pequeno resumo

A temporada de blockbusters está praticamente terminada. As grandes apostas dos estúdios já viram a luz do dia e, neste Verão, houveram resultados inesperados. Vamos fazer aqui uma pequena análise sobre os maiores sucessos e os maiores fracassos desta temporada que agora terminou. Começamos com o filme que inaugurou a 'silly season': X-Men Origins: Wolverine.
A prequela da saga X-Men traz de volta Hugh Jackman como a personagem mais conhecida do universo mutante da Marvel. A Fox, que foi o estúdio com mais fracassos do ano passado (o maior êxito do Verão foi o pobre What Happens in Vegas, com cerca de 85 milhões), decidiu abrir a temporada de Verão com este novo capítulo de X-Men. A estreia foi fantástica (85 milhões) mas o filme teve uma grande descida na semana seguinte. No entanto, acumulou nos Estados Unidos 180 milhões e assegorou a sequela. Na semana seguinte, estreia um dos maiores êxitos do ano: Star Trek.
J.J. Abrams, co-criador de Lost, realiza a sua segunda longa-metragem (depois de M.I-3) com esta nova aventura de Star Trek. O elenco é novo (à excepção de Leonard Nimoy) e o filme é uma sequela/prequela inteligente e um verdadeiro exemplo de filme blockbuster: emocionante, divertido, com uma boa história e boas interpretações. Por outras palavras, um bom caso de cinema espectáculo bem executado. E, mais importante, um filme (o 11º da saga) feito para os fãs e para todos os outros. Resultado:
o marketing resultou, o filme estreou com 79 milhões e, com o passa-palavra bastante positivo, teve sempre pequenas descidas e acumulou até agora 256 milhões, um dos maiores e melhores blockbusters do ano.
Na segunda semana de exibição de Star Trek (que foi por um triz que não ficou de novo em primeiro lugar), deu-se a estreia de Angels & Demons, a sequela de The DaVinci Code.
Tom Hanks voltou a reunir-se com o realizador Ron Howard e tentaram repetir o êxito de DaVinci. No entanto, o livro de Dan Brown de Demons não é tão popular como DaVinci (e a Sony não esperava repetir os 217 milhões do primeiro filme) e uma boa parte do público ficou desiludida com a primeira parte do filme. Demons era um filme melhor, um entretenimento passavél, com Hanks em melhor forma mas o filme estreou com 46 milhões e chegou aos 133 milhões, sendo considerado uma pequena (mas não grande) desilusão.

Na semana seguinte, estreiam dois filmes de peso: duas sequelas, uma para a família, outra para os mais adultos. No entanto, só uma poderia ganhar e foi quem menos se esperava.
Primeiro falamos do vencedor: Night at the Museum: Battle at the Smithsonian. Esta sequela do mega-êxito de Ben Stiller estreou com 70 milhões em 5 dias de exibição (o primeiro teve uma estreia menor mas aguentou mais tempo nas bilheteiras, já que estreou na época de Natal) e, apesar de não ter feito os 255 milhões do primeiro, acumulou uns excelentes 175 milhões até à data, dando mais um êxito à Fox (depois de X-Men Origins) e dando uma improvavél vitória ao filme para a família.


Nesse mesmo fim-de-semana estreia Terminator Salvation, o quarto filme da saga Terminator. McG, o realizador de Charlie's Angels, assume a direcção e os protagonistas são Christian Bale e o desconhecido (por agora) Sam Worthington (o verdadeiro protagonista do filme). O filme perde a corrida ao primeiro lugar, fazendo 65 milhões em 5 dias e, após as grandes descidas das semanas seguintes, faz 125 milhões nas bilheteiras. O custo foi de 200 milhões e o filme ficou aquém das expectativas.

Logo a seguir, temos outro dos grandes êxitos do ano. O novo filme da Pixar, Up, para além de ser um dos filmes mais aclados (justamente) do ano, tem uma excelente estreia de 68 milhões. Nas semanas seguintes, o filme mantém-se extremamente bem e chega até aos 290 milhões (até agora), tornando-se no segundo filme mais rentável da Pixar, depois de Finding Nemo.


A 5 de Junho estreiam The Hangover e Land of the Lost, duas comédias distintas e com grandes expectativas nas bilheteiras. Quem ganha, por uma grande margem, é The Hangover, uma comédia de Todd Phillips e com actores algo desconhecidos do grande público. O filme, distribuído pela Warner, teve uma excelente publicidade e o estúdio apostava inteiramente no filme (mas nunca esperando ter o êxito que teve). O resultado foram duas semanas em primeiro lugar e um rendimento exorbitante de 270 milhões (o filme custou 30) e um filme bastante adorado pela crítica e pelo público. Em quarto lugar estreou Land of the Lost, da Universal, com a mega estrela da comédia americana Will Ferrell. O filme rendeu apenas 18 milhões no fim-de-semana de estreia e acumulou apenas 49 milhões até à data (custou 100), sendo considerado o flop do ano (deverá ser lançado directamente para DVD entre nós). Lost marcou o primeiro flop da Universal neste Verão.

Dois fins-de-semana depois, após The Hangover permanecere em primeiro lugar, estreia The Proposal, uma comédia romãntica com Sandra Bullock e Ryan Reynolds. O filme marca o regresso da actriz ao género e acaba por ser a melhor estreia da sua carreira (33 milhões) e revela ser o maior êxito de sempre para a actriz (160 milhões). Nesse mesmo fim-de-semana, estreia Year One, com Jack Black e Michael Cera e, apesar duma estreia razoavél (19 milhões), o filme teve grandes descidas depois e ficou-se pelos 40 milhões. O filme será lançado directamente em DVD entre nós.

A 24 de Junho, estreia Transformers: Revenge of the Fallen, o mega blockbuster de Michael Bay, sequela o enorme êxito de 2007. O filme estreia com uns grandiosos 108 milhões, fazendo 200 milhões em 5 dias, pagando o filme. O filme, apesar de ter sido devastado pela crítica, aguenta-se bastante bem nas bilheteiras (ficou em primeiro lugar uma segunda semana) e, neste momento, está prestes a quebrar a barreira dos 400 milhões. É o maior êxito do ano. Na semana seguinte, resiste a dois filmes fortes.

A 1 de Julho, estreiam duas apostas fortes: Ice Age 3 e Public Enemies. Ice Age estreia em segundo lugar com uns excelentes 66 milhões em 5 dias e Enemies estreia em terceiro com uns bons 40 milhões em 5 dias. No entanto, Ice Age consegue aguentar-se melhor (como seria de esperar) e chega até aos 192 milhões. Enemies acaba por ter umas consideráveis descidas e luta até aos 97 milhões, com poucas hipóteses de chegar aos 100 milhões. A Universal perde mais uma hipótese de quebrar tal barreira, ficando agora com Bruno e Funny People com essa tarefa.

Apesar de não ser considerado um fracasso (embora fosse esperado um resultado mais satisfatório) Enemies prova que algo acontece nesta temporada: filmes com grandes nomes do cinema estão a ter resultados mais abaixos do esperado (começou com Angels & Demons, Terminator Salvation, o remake Taking Pelham 123 também ficou aquém das expectativas, apenas para referir uns casos), enquanto que filmes com actores desconhecidos fazem rios de dinheiro no box-office (Star Trek, The Hangover, por exemplo), algo que acaba por ser invulgar, provando que nem sempre é pelos nomes envolvidos que o público enche salas.


A seguir temos a estreia de Bruno, outro filme da Universal (por cá foi distribuído pela Sony). O filme tem um bom dia de estreia (14 milhões mas algo invulgar acontece: o filme sofre uma grande descida de Sexta para Sábado (39%), dando um resultado de 30 milhões para o fim-de-semana, quando podia ter sido mais (Borat estreou em menos salas e fez 26 milhões, por exemplo). O público não apreciou o filme e as descidas foram sempre na casa dos 65%, dando a Bruno uma luta para chegar aos 60 milhões. A Universal, que pagou 43 milhões pelos direitos de distribuição nos Estados Unidos, não ficou contente.

Para dificultar as coisas a Bruno, no fim-de-semana seguinte estreia o sexto capítulo de Harry Potter. O filme, em 5 dias, rende uns fabulosos 158 milhões e aguenta-se bem nas bilheteiras. Até ao momento, já acumulou 294 milhões e é já o segundo filme mais lucrativo da saga, após o primeiro (o único a passar os 300 milhões).

Inesperadamente, quando esperava-se um segundo fim-de-semana liderado por Potter, o lugar é-lhe roubado por G-Force, uma outra aposta da Disney (após Up e The Proposal). O filme é lançado em 3D (formato que está a fazer furor nas bilheteiras, com este filme, Up, Ice Age 3) e acumula 31 milhões. O filme já rendeu 111 milhões e é mais um êxito para a Disney (estreia a 1 de Outubro em Portugal).

A última grande aposta de Universal é Funny People, o novo filme de Judd Apatow, cujos filmes anteriores foram grandes êxitos. O filme tem como protagonistas Adam Sandler (7 anos consecutivos com comédias a fazerem mais de 100 milhões), Seth Rogen e Leslie Mann. Apesar do elenco forte, o tema (um comediante que descobre que vai morrer) não é muito apelativo entre o grande público, fazendo com People estreia com 22 milhões, bom para o tema em questão mas não para a equipa envolvida. O público, nas semanas seguintes, abandonou o filme e, até agora, rendeu 51 milhões, quebrando o ritmo de Sandler e dando mais um filme fracassado ao estúdio.

Chega o mês de Agosto. As coisas no box-office tendem a acalmar neste mês. Os estúdios lançam os últimos 'tiros' da temporada. E o último 'tiro' da Paramount é G.I. Joe, um filme que muitos tinham expectativas nulas e que esperava-se um flop gigantesco. A Paramount, ciente dessa situação, criou uma publicidade invulgar e conseguiu provar que o filme não era tão mau como se pensava (era melhor que Transformers e, pessoalmente, é um filme totalmente escapista e mindless) e consegue uns bons 54 milhões na estreia. O filme, que tem agunetado bem, já acumulou 132 mulhões e deverá ficar-se pelos 150, dando um resultado sólido ao estúdio. A sequela já está confirmada.

No fim-de-semana seguinte, estreia District 9, um filme onde a única pessoa conhecida é o produtor Peter Jackson. Esperava-se uma estreia de 23 milhões (devido ao bom marketing da Sony e ao forte impulso promocional nos dias antes da estreia) e superou com uns grandes 37 milhões. O filme até agora já tem 90 acumulados e prepara-se para ultrapassar os 100 milhões, sendo um grande êxito.

No entanto, neste mês supostamente mais calmo, a seguir estreia Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino, com Brad Pitt. Novamente, esperava-se uma estreia de 23 milhões e fez 37 milhões, sendo a melhor estreia de Tarantino. O filme no seu segundo fim-de-semana chega aos 73 milhões (tal como District 9) e prepara-se para acabar nos 125 milhões, sendo mais um filme a entrar no território de blockbuster. O filme é da Weinstein e co-financiado pel Universal, aqui com o seu maior êxito.

Este fim-de-semana que passou, as expectativas foram novamente superadas. Final Destination 3D (o quarto da saga) estreia com 27 milhões (mais um êxito do formato 3D) e Halloween 2, de Rob Zombie estreia com 16 milhões (uma descida em relação ao primeiro filme mas eram os resultados esperados pelo estúdio, Weinstein, que já confirmou uma sequela, já que o filme apenas custou 15 milhões e será rentável).

Estas últimas estreias quebraram o ritmo calmo esperado no mês de Agosto e provaram que são os filmes mais pequenos que têem surpreendido nas bilheteiras este ano (no início do ano tivemos casos como Gran Torino, Taken, Slumdog Millionaire e Paul Blart - Mall Cop, que foi para DVD entre nós, que foram enormes êxitos e filmes que aguentaram-se, invulgarmente, nas bilheteiras).
Esta semana parece ser algo mais calma. No entanto, a tendência tem sido para surpreender. E tal poderá acontecer.
Podem deixar as vossas opiniões em baixo, se o desejarem...