sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #19

Barbarella, de Roger Vadim

Ainda em 1968 estreia este Barbarella, distribuído pela Paramount Pictures. O filme é baseado nos comics de Jean-Claude Forest e é o primeiro comic a ser adaptado para longa-metragem. O filme conta-nos a história de Barbarella que, num futuro distante, tem de encontrar o maléfico Durand-Durand e impedir os seus planos. Pelo caminho, Barbarella encontra pessoas estranhas.
O filme, produzido pelo recém falecido Dino De Laurentiis, é um produto típico do seu tempo: o filme é kitsch absoluto, com cenários e roupas saídas direitinhas da mentalidade de alguém que parou no tempo na década de 60. O filme foi um fracasso de bilheteira e de crítica, sendo mais um flop dentro do género de F.C. nessa altura, época em que a F.C. deixara de ser um género rentável (com certas excepções como Planet of the Apes). O flop foi ainda maior porque a protagonista era a estrela Jane Fonda, filha do lendário Henry Fonda.
Barbarella conseguiu, com o passar do tempo, ganhar um estatuto de culto enorme. O filme é um produto único e diferente e consegue fazer o espectador voltar atrás no tempo, tão anos 60 que é. Na altura, o filme não causou grande influêcia no género mas eventualmente, conseguiu inspirar artistas futuros, como a banda Duran Duran, por exemplo.
Barbarella acaba por ser um dos primeiros e grandes exemplos que mulheres fortes na F.C., conseguindo misturar o género com uma forte componente sexual, algo muito utilizado mais tarde em comics e certas obras de F.C. (e não só). Um dos maiores símbolos femininos da F.C..

Amanhã vamos avançar um ano e apresentar aquele que é considerado por muitos o maior filme de F.C. de sempre. Um verdadeiro clássico do Cinema e uma obra brilhante, complexa e difícil de decifrar. Falamos, claro está, de 2001, de Stanley Kubrick.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #18

Planet of the Apes, de Franklin J. Schaffner

Em 1968, a Fox estreia este Planet of the Apes nos cinemas e o resultado foi um êxito estrondoso, exactamente aquilo que o género de F.C. precisava na altura. A crítica ficou rendida ao filme, tal como o público e toda a gente ficou em choque com o final surpreendente do filme. O filme acabou por dar origem a quatro sequelas, uma série de televisão e uma outra série, desta feita de animação. O filme acabou por tornar-se num franchise rentável para o estúdio que, em 2001, estreou um remake pelas mãos de Tim Burton (que insistiu que não era um remake mas uma adaptação mais fiel ao livro original, da autoria de Pierre Boulle) e brevemente irá estrear um reboot da saga.
O filme tinha como protagonista essa grande estrela dos filmes épicos baseados nas histórias da Bíblia, Charlton Heston. Heston era uma grande estrela na altura e foi uma das grandes atracções do filme. O filme em si é um excelente entretenimento, com um bom um ritmo e que consegue prender o espectador até ao final surpreendente.
Planet of the Apes é um dos grandes clássicos do cinema de Aventura e F.C., que ainda hoje consegue ser uma obra fresca e divertida. Na altura, a F.C. já não era tão popular e este foi um dos maiores êxitos do género e um marco.

Amanhã, vamos continuar em 1968 e vamos acompanhar as aventuras de outra grande estrela do cinema, Jane Fonda, em Barbarella, um filme recheado de Kitsch, acabando por ser um produto muito preso à década de 60.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #17

Fantastic Voyage, de Richard Fleischer

Ontem cometemos um pequeno engano ao anunciarmos o filme desta noite como sendo o clássico Planet of the Apes. Não é. Estavamos a deixar, por acidente, outro clássico da década, este Fantastic Voyage, uma aventura de F.C. de 1966 onde um grupo de cientistas fica de tamanho reduzido para poderem salvar um diplomata que sofreu um atentado. Como é que o vão salvar? Entrando no corpo do diplomata, numa nave, de forma a poderem identificar o problema que o poderá matar.
Fantastic Voyage foi um grande êxito na altura, um dos poucos dentro do género, já que a F.C. perdera muito da sua popularidade e agora os êxitos não eram muitos. Na época, o que estava na moda eram agentes secretos (James Bond já tinha estreado e iria usar Donald Pleasence, um dos actores deste Voyage, num dos seus filmes), filmes de guerra, comédias algo non-sense (Pink Panther, por exemplo). A F.C. já não era um género tão rentável como havia sido na década anterior mas conseguia ainda ter alguns êxitos nas bilheteiras. E este Fantastic Voyage foi um dos maiores.
A ideia parece ser algo inspirada no clássico The Incredible Shrinking Man e foi utilizada anos mais tarde no divertido Innerspace (1988), de Joe Dante e produzido por Steven Spielberg. Este Fantastic Voyage é um filme de bom entretenimento e acaba por ser um filme ligeiro e divertido de se ver. E é um dos marcos da F.C. americana dos anos 60.

Amanhã sim, vamos para 1968 e viajar até ao Planeta dos Macacos, um filme intemporal e um dos grandes clássicos da F.C..

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #16

Fahrenheit 451, de François Truffaut

Depois de Alphaville, o cinema de F.C. francês continua em força com esta obra prima de Truffaut. O filme, falado em Inglês, passa-se num futuro onde praticamente não há qualquer tipo de liberdade criativa e de pensamento. Existem grupos de homens que destroem livros e materiais onde se pode expressar livre pensamento e ideias criativas. Um futuro atípico, algo que seria usado em várias outras produções.
Aqui temos mais um grande clássico do cinema, de um dos grandes autores cinematográficos de sempre. O filme é tipico dos anos 60 (estreou em 1966) e é uma obra muito bem realizada e uma grande valia para o género.
Na nossa retrospectiva, este Fahrenheit 451 marca a estreia duma ideia muitas vezes usado na F.C.: uma ideia dum futuro controlado, onde não há liberdade de expressão e onde tudo o que pode ser considerado arte é um acto de revolta. Uma visão dum futuro aparentemente limpo e perfeito mas que acaba sempre por ser mais sombrio e desumano do que se esperaria. Esse tipo de futuro atípico e supostamente controlado será usado vezes sem conta em obras menos comerciais e em grandes blockbusters (A Ilha, de Michael Bay, é um exemplo neste departamento). Quando é bem feito é sempre um tipo de filme muito interessante. Teremos mais alguns casos na nossa retrospectiva.

Amanhã vamos voltar aos Estados Unidos. Será a vez do grande clássico de 1968, Planet of the Apes.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #15

Alphaville, de Jean-Luc Godard

Depois do americano Time Machine, de 1960, andamos 5 anos no tempo para 1965, ano em que estria este clássico de Godard, Alphaville. Godard, um dos criadores da Nouvelle Vague, esse movimento cinematográfico revolucionário, cria um filme de F.C. com um aspecto Film Noir, uma combinação aparentemente improvável mas que dá origem a um dos melhores filmes do género e a um grande clássico do cinema. Uma obra brilhante, perfeita em todos os aspectos e que é uma verdadeira relíquia para o género.

No entanto, o cinema francês não queria ver-se livre da F.C. e o próximo filme é prova disso: Fahrenheit 451, de François Truffaud, de 1966, outro dos criadores da Nouvelle Vague e um filme que é extremamente importante para a F.C.

Sessão da Meia-Noite #15

Robocop 3

Depois do excelente Robocop e da sua sequela inferior mas algo engraçada, Robocop bate no fundo com esta terceira parte. O filme torna-se ligeiro demais para uma ideia que começou por ser (e bem!) extremamente violenta e adulta, e acaba por ainda cair na infantilidade, de forma a poder lucrar mais nas bilheteiras devido às crianças que simpatizavam com o polícia do furuto. O resultado é um filme muito fraco que marcou o fim de Robocop no cinema (por agora). Depois disto, foi a série de televisão que não era grande coisa.

Retrospectiva F.C. #14

Time Machine, de George Pal

E entramos na década de 60! A dévada de 50, altura em que a F.C. e o Terror reinaram, tinha terminado e estava na altura de descobrir se conseguiam ser reinos ou perdiam popularidade.
O primeiro caso de popularidade na nova década foi este Time Machine, de George Pal, um dos mestres dos filmes de F.C. dos anos 50, baseado na obra de H.G. Wells, essa grande fonte de inspiração para o cinema do género. A MGM, produtora do filme, ainda inspirada com o êxito do revolucionário Forbidden Planet, faz do filme uma boa produção, com bons meios e consegue criar um êxito de bilheteira e um filme importante para o género, um dos seus grandes clássicos.
O filme é um excelente entretenimento (melhor que a versão de 2002 com Guy Pearce) e é uma crítica aos perigos da ciência. E é um dos grandes motivos pelos quais filmes de viajens no tempo são tão populares no género: o tema de viajem no tempo é algo bastante discutido pela sociedade científica e é algo com que toda a gente sonha ser possível. E Wells e Pal souberam usar essa ideia com esta aventura, motivada por amor.
O legado de Time Machine é enorme! Ainda hoje encontramos histórias de viajens no tempo no cinema e na televisão, em Comédia, F.C., Romance, Terror, etc. Acabou por ser uma ideia usada em vários géneros e uma muito explorada. Alguns casos revelaram ser estrondosos êxitos de bilheteira (serão mencionados mais tarde...) e é uma ideia que continua a alimentar a imaginação do grande público e dos fãs da F.C.... e dos cientistas...

Para o filme seguinte, vamos a França, conhecer um dos grandes clássicos de F.C. franceses: Alphaville, de Jean-Luc Godard.

sábado, 20 de novembro de 2010

Sessão de Culto # 14/ Retrospectiva F.C. #13

Plan 9 From Outer Space, de Ed Wood

E estamos no final da década de 50, uma década de grande importância para a F.C., onde várias obras moldaram para sempre o género, criando diversas influências e sub-géneros. No entanto, em 1959, estreia um filme de baixo orçamento que, devido à sua falta de talento e qualidade, viria a tornar-se num dos filmes mais populares de todos os tempos. E tal filme é este Plan 9 From Outer Space, de Ed Wood, realizador considerado o pior de sempre.
A trama de Plan 9 From Outer Space é a seguinte: depois dos extra-terrestres terem criado 8 planos frustantes, na tentativa de conquistarem a Terra, surge este 9º plano: ressuscitar os mortos do planeta e estes, zombies, matarem os vivos. Enquanto tal acontece, os extra-terrestres, com os seus míticos discos voadores, aproveitam para conquistarem o planeta.
O que acontece por aqui é fantástico: apenas vemos 3 mortos a voltarem à vida, cada um mais bizarro que o outro e, quando conhecemos o vilão do filme, temos um extra-terrestre calvo que bem podia ser o dono da mercearia da esquina. Para além disso, temos diálogos intragáveis e um Bela Lugosi nos seus últimos dias de vida, numa tentativa de Wood em dar glória a Lugosi no papel que o tornou lendário: Dracula. Lugosi faleceria antes da complicada produção terminar e Wood acabou por usar, de forma descarada, um duplo que escondia sempre o rosto com a sua capa preta. A juntar à festa, temos interpretações extremamente más, cenários com panos pretos a fazerem a escuridão da noite, cruzes de cemitério feitas de cartão, discos voadores a serem controlados com fios de pesca bastante visíveis, etc.
Aquele que seria considerado o pior filme de sempre (pelo menos até chegar The Room, de Tommy Wiseau) tornou-se num verdadeiro exemplo de como não fazer um filme (exemplo que Tommy Wiseau não viu) e ganhou um estatuto de culto enorme. O filme acabou por não afectar o género da F.C. nem o de Terror (a presença de Lugosi como um Dracula zombie é um exemplo do Terror utilizado no filme) mas consegue fazer um ligeiro apanhado de certas ideias que surgiram no género durante essa década.
De uma forma ou de outra, Plan 9 Form Outer Space é um filme importante para a F.C., devido à sua pobreza artística ter ganho um estatuto tão grande junto de muitos fãs. E é de admitir que o filme é bastante divertido de ver.

Amanhã entramos na década de 60, uma década que criou várias obras dentro do seu tempo. É também nesta década que o género de F.C. começa a perder a sua popularidade e deixa de ser um género rentável. O primeiro filme desta década é Time Machine, de George Pal, baseado na obra de H.G. Wells e será a introdução, na nossa retrospectiva, desse sub-género tão popular na F.C.: as viagens no tempo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #12

The Blob, de Irvin S. Yeaworth e Russell S. Doughten Jr. (não creditado)

Em 1958 surge pelas mãos da Paramount mais uma obra de orçamento reduzido e elenco desconhecido que viria a tornar-se num marco da F.C. da década, The Blob.
O filme conta-nos a história duma massa gelatinosa assassina que atormenta uma pequena cidade nos Estados Unidos. E com uma premissa estranha mas simples criou-se um dos grandes clássicos do género. The Blob é o filme que apresenta a adolescência da altura, com os drive-ins e todas as modas que tinham. Para além disso é o filme que influenciou toda uma série de filmes ligeiros, completamente série B, misturando Humor e Terror, com uma mistela de F.C., enquanto apresenta uma premissa bizarra e algo impensável. É um filme bastante divertido que não se leva, de forma alguma, a sério e criou um sub-género dentro da F.C. e Terror.
O tema principal que surge no genérico inicial é prova de como esta é obra para não se levar a sério e foi uma verdadeiro estrondo na altura. The Blob, para além de ser um dos grandes clássicos da F.C., é também um dos primeiros filmes de Steve McQueen e um dos grandes filmes de culto do cinema. Sim, há um culto bastante grande dedicado a este filme, que até tem direito a uma edição da Criterion. Mais tarde, surgiu uma sequela que não teve o mesmo impacto e, em 1988, estreou um remake que perde o lado cómico e torna-se mais num filme de Terror, sendo um produto bastante fraco.

Amanhã teremos o último filme desta década de 50, extremamente importante para a F.C. O último filme dos anos 50 da nossa retrospectiva é um dos grandes filmes de culto da história do cinema, um filme de extrema importância (por todos os motivos errados) e que acabou por tornar-se numa obra de grande importância: Plan 9 From Outer Space, de Ed Wood, considerado o pior filme e realizador da história do cinema, respectivamente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Retrospectiva F.C. #11

The Incredible Shrinking Man, de Jack Arnold

Baseado na novela de Richard Matheson e com argumento escrito pelo mesmo, Jack Arnold trouxe aos cinemas este The Incredible Shrinking Man, de 1957. O filme conta-nos a aventura de Scott Carey que, após ficar exposto a uma combinação de radiação com insecticida, reduz de tamanho. Tendo agora de defrontar perigos que, para um humano de tamanho normal, são coisas habituais do dia-a-dia, Scott terá de encontrar uma forma de voltar ao seu tamanho original.
Com efeitos especiais de ponta para a época e com a devida crítica aos perigos da radiação, tema em voga na altura, o filme de Jack Arnold é um dos principais dentro do género 'combinação (ou experiência) de produtos que têm mau resultado'. Neste tipo de filmes, podemos encontrar ainda The Fly (1958), com Vincent Price, outro dos grandes filmes do género e, também, um dos grandes impulsionadores deste sub-género muito popular e utilizado na F.C..
Deixando de lado o grande clássico que é The Fly (irá aparecer na retrospectiva mas na versão Cronenberg), este The Incredible Shrinking Man é um dos grandes filmes de F.C. da década de 50 e um dos primeiros exemplos deste tipo de filme, onde um cientista decide mexer com a natureza e cria algo que desafia a ordem natural das coisas. Neste caso, é uma exposição a produtos radioactivos (e não só) que altera o protagonista, reduzindo-o ao tamanho duma formiga, algo que iria inspirar o clássico familiar Honey, I Shrunk the Kids, de Joe Johnston (1989).

Amanhã vamos para o ano seguinte, 1958. Desta vez vamos explorar o ambiente adolescente da época enquanto conhecemos uma das maiores ameaças à humanidade dos anos 50, The Blob. Aproveitamos para conhecer o jovem Steve McQueen e a popular (e bizarra) música da massa gelatinosa assassina.